Biocombustíveis, especulação e catástrofes elevam preço de alimentos | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 13.03.2011
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Economia

Biocombustíveis, especulação e catástrofes elevam preço de alimentos

Especialistas não têm dúvida ao apontar as principais vítimas da alta nos preços dos alimentos: as populações pobres dos países em desenvolvimento e emergentes, que gastam até 80% do que ganham para comprar comida.

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Escassez de alimento preocupa populações de países em desenvolvimento em 2011

A diretriz da União Europeia que obriga os países-membros a usar 10% de energias renováveis no setor de transportes até 2020 gerou polêmica não somente entre governo e oposição na Alemanha, mas também entre os próprios motoristas. Eles têm dúvidas se seus carros aceitam a nova mistura de combustível fóssil com ingredientes de base vegetal.

Para as organizações de combate à fome, esse não é nem de longe o maior problema: um maior emprego de combustíveis de base vegetal também pode ter efeito nos preços dos alimentos.

Em setembro de 2010, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) anunciara que o número de pessoas passando fome no mundo caíra para menos de 1 bilhão em setembro de 2010. Ao mesmo tempo, o diretor-geral da FAO, Jaques Diouf, alertava para o aumento dos preços dos alimentos. Ele identificava a variação de preços nas bolsas de valores como um sinal preocupante.

Os biocombustíveis são apontados como causa da elevação do preço dos alimentos no mercado internacional. Mas não são a única.

Catástrofes naturais

Was bringt der neue Biosprit?

Consumidores alemães são céticos sobre efeitos de biocombustível em seus carros

Em 2010 havia sinais claros de que uma crise na produção de alimentos se aproximava. As secas na Rússia provocaram a devastação de imensas áreas pelas queimadas. O primeiro-ministro Vladimir Putin chegou a proibir as exportações de grãos. A medida causou impacto em vários países porque a Rússia é um dos principais exportadores de trigo.

No Paquistão, as cheias arruinaram imensas plantações em áreas tidas como "celeiros" do país. Poucos dias depois, os alimentos dispararam, ficando cerca de três a quatro vezes mais caros.

"Uma área do tamanho da Itália ficou embaixo de água. Cinco usinas de energia elétrica e 60% das rodovias foram destruídas. Eu nunca vi as pessoas tão abatidas. E as pessoas aqui já sofriam com a fome e escassez de alimentos mesmo antes das cheias", diz a diretora-executiva do Programa Mundial de Alimentos, Josette Sheeran.

Especialistas ainda discutem se as duas catástrofes ambientais têm relação com o aquecimento global. Mas não há dúvidas sobre as maiores vítimas: as populações pobres. Seja nos países africanos, seja nos países emergentes como a Índia e a China: o aumento dos preços dos alimentos atinge primeiro aqueles que gastam até 80% de seus ganhos para comprar comida.

A fome e o jogo de interesses

Pakistan Flutkatastrophe Überschwemmungen Familie im Regen

Cheias afetaram produção de alimentos em regiões consideradas 'celeiro' no Paquistão

A lei do mercado internacional é simples e dura: oferta e procura determinam os preços dos alimentos. Assim, a equação envolvendo produção de combustível vegetal, investimentos em commodities e catástrofes naturais define o preço dos mantimentos no mundo. Se há promessas de ganho, os investidores procuram o setor de alimentos, de olho nos lucros.

"Temos na verdade trigo suficiente nos silos. Não haveria porque os preços aumentarem. Mas é claro que os investidores têm o interesse de reter o produto para ver se os preços não continuam a subir. Isso encarece mais o produto para os pobres", diz Ralf Suedhoff, do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas.

Como destaca Tobias Reichert, responsável por Comércio Internacional e Alimentação da Germanwatch, a fome está presente onde na verdade os alimentos são plantados.

Autores: Helle Jeppesen / Marcio Pessôa
Revisão: Alexandre Schossler

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