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Economia

Biocombustíveis afetam produção de cevada

Alemães poderão ter que pagar caro pela tão amada cerveja, com o cultivo da cevada perdendo cada vez mais espaço para plantações altamente subsidiadas destinadas à produção de biocombustíveis.

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Cervejarias consideram aumentar preço da bebida

"Muitas cervejarias não terão outra opção a não ser aumentar os preços", prevê Kai Schuerholt, porta-voz da associação de cervejarias alemãs. Segundo ele, as cervejarias haviam decidido não repassar ao preço final da cerveja o aumento de 3% do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) em vigor desde 1º de janeiro de 2007. "Mas nesse caso não haverá alternativa."

O braço alemão da cervejaria belga InBev, dona das marcas Beck's e Franziskaner, confirmou que aumentará "levemente" o preço por garrafa, e a cervejaria alemã Radeberger disse estar avaliando medida semelhante.

É difícil ignorar a importância da cerveja na Alemanha: a bebida é consumida em grandes quantidades e o mercado é tão competitivo quanto sensível a mudanças de preço. Um caneco de meio litro ("ein halber Mass") custa, atualmente, em torno de três euros em um bar ou restaurante, quantia que faz consumidores de outros países da Europa Ocidental morrer de inveja.

Em 2006, o consumo anual médio de cerveja na Alemanha foi de 111,6 litros por pessoa, o que equivale a um copo de 300 ml de cerveja por dia para cada um dos 82 milhões de habitantes do país.

Segurança energética ou segurança alimentar?

Wiesn Besucher heben ihre Maßkrüge, Münchener Oktoberfest 2003

Tradição ou meio ambiente? Na Oktoberfest de Munique, principal atrativo é a cerveja

O preço da cevada, usada para fazer o malte, ingrediente essencial na produção da bebida, dobrou no espaço de um ano, com o preço da tonelada subindo de 200 para 400 euros no mercado alemão.

Segundo cervejeiros e agricultores, a safra extremamente pobre de cevada em 2006 acabou acelerando ainda mais a tendência crescente de converter campos de cevada em plantações para o cultivo de plantas usadas na produção de biocombustíveis, tais como a colza.

O território destinado à plantação de cevada está diminuindo em uma escala de 5% ao ano. E a marcha de avanço do biocombustível parece irrefreável: dos 12 milhões de hectares cultivados na Alemanha, dois milhões já são destinados a matérias-primas de biocombustível.

"Os biocombustíveis estão monopolizando o campo", disse Manfred Weizbauer, presidente da associação alemã de empresas de beneficiamento de grãos, que reivindica o fim dos subsídios para produção de matérias-primas para biocombustíveis. "O governo alemão precisa ser mais razoável e não dar mais importância à segurança energética que à segurança alimentar", critica.

O impacto dos biocombustíveis, aliás, não se restringe à cerveja. A Federação Alemã de Padeiros alerta que a redução da produção de grãos poderá acarretar um aumento de 10% no preço do pão.

Sinal dos tempos

Landschaftsimpression mit Rapsfeld und Kastanienallee

Plantações de colza cada vez mais dominam a paisagem na Alemanha

A Alemanha não é o único país onde a terra cultivável está sendo adaptada para novos usos. Embora não esteja sofrendo as gravíssimas conseqüências sentidas pelo México, onde o aumento do preço do milho foi altíssimo, os beneficiadores de grãos alemães temem os efeitos do constante aumento do preço dos cereais.

A política de biocombustíveis é encorajada pela União Européia, que almeja que todo combustível de veículos contenha pelo menos 10% de biocombustível até 2020.

Mas Jens Redemacher, diretor da divisão de cereais da Federação Alemã de Agricultores, alerta que os fabricantes de cerveja tampouco podem esquecer sua própria parcela de culpa. "Eles reivindicaram preços cada vez mais baixos da cevada, o que levou os agricultores a abandonar o cultivo, que deixou de ser lucrativo. Os biocombustíveis não são os únicos vilões", disse.

A indústria de alimentos "terá que se acostumar com a idéia de ter um concorrente para a compra de cereais, principalmente das espécies usadas na produção de biocombustíveis", completou. (ncy/jl)

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