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Cultura

Biblioteca de Munique expõe globo terrestre de Hitler

Esquecido durante quase 70 anos nos depósitos da Biblioteca Nacional da capital bávara, um globo representa o delírio e a queda do regime nazista. Do Terceiro Reich, nada sobrou, além de um furo de bala.

Adolf Hitler e o globo terrestre: pelo menos desde o filme O grande ditador (1940), de Charles Chaplin, este é um ícone ao mesmo tempo ameaçador e ridículo. Porém de grande força simbólica: consta que, ao tomarem em 1945 a central do Partido Nacional-Socialista em Munique, os soldados norte-americanos fizeram questão de, com seus rifles, retificar a história, deixando apenas um buraco no lugar ocupado pela Alemanha.

Quer sua destruição haja sido obra dos aliados, quer não, o globo da sede nazista, com 115 centímetros de diâmetro, estava guardado desde o final da Segunda Guerra nos depósitos da Biblioteca Nacional de Munique.

Agora o público pode novamente ver este símbolo supradimensional das fantasias nazistas de domínio do mundo. Segundo Reinhard Horn, diretor do Departamento de Cartografia e Iconografia, trata-se, acima de tudo, de um importante documento histórico.

Assim como os notórios retratos do führer por Heinrich Hoffmann, seu fotógrafo preferido, também guardados na biblioteca, este globo não deve ficar escondido nos arquivos, explica Horn. Pois ele recorda tanto a megalomania como o fracasso do regime que dominou a Alemanha de 1933 a 1945.

O diretor não teme em absoluto que o instrumento de planejamento geopolítico se transforme em objeto de culto para os saudosistas do nazismo: por um lado, o Terceiro Reich está violentamente eliminado do mapa. E, caso o culto se estabeleça, "vamos simplesmente guardar o globo de novo", afirma Horn com simplicidade.

Instrumento de propaganda – Atualmente só se sabe da existência de uns poucos globos terrestres deste tipo, produzidos na década de 30 pela editora Columbus: havia outros dois na chancelaria do Reich, em Berlim, um na embaixada alemã de Londres, além de um quinto na casa de Hitler, em Obersalzberg. A Columbus era uma das campeãs internacionais de material cartográfico, especializada em produtos de extrema fidelidade geográfica.

O globo atualmente exposto na biblioteca da capital bávara encontrava-se na "Casa Marrom", em Königsplatz. A decoradora de Hitler, Gerdy Troost, o encomendara em 1937 por 2000 reichsmark, aproximadamente cem vezes o preço de um globo terrestre normal. Afinal, sua função era impressionar os visitantes e os governantes estrangeiros de passagem por Munique.

Montada sobre robusto pedestal de madeira, a esfera de metal alcançava seu efeito máximo sob a clarabóia que a envolvia num feixe de luz. Segundo a propaganda do regime, este globo deveria representar "um símbolo da organização do Partido Nacional-Socialista, que abarca os alemães do Reich em todo o mundo".

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