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Cultura

Berlinale aposta em política

O 56º Festival Internacional de Cinema de Berlim confere grande peso a filmes de temática política na programação deste ano. Participação brasileira é reduzida.

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Diretor Kosslick gostaria de receber prisioneiros de Guantánamo na gala da Berlinale

Poucos dias antes da inauguração do Festival Internacional de Cinema de Berlim, o diretor da Berlinale, Dieter Kosslick, fez questão de destacar a tônica política do evento deste ano. Ao incluir na programação o filme britânico The Road to Guantánamo, ele quis dar ao cineasta Michael Winterbottom a oportunidade de se pronunciar sobre direitos humanos, declarou Kosslick.

Guantanamo Gefängnis Eingang Camp Delta

Base norte-americana de Guantánamo, em Cuba

O filme mostra a trajetória de três muçulmanos britânicos encarcerados durante dois anos na prisão norte-americana em Cuba, sem qualquer acusação formal. O enredo é fictício, mas se baseia em entrevistas e relatos verídicos. Indagado sobre quem ele gostaria de cumprimentar na cerimônia de gala do festival, Kosslick disse: "Os 450 prisioneiros de Guantánamo, presos sob violação dos direitos humanos".

De sindicato de ladrões a Teerã

O cineasta britânico Michael Winterbottom, já premiado com o Urso de Ouro por seu filme Neste Mundo (2003), não é o único diretor envolvido com temas políticos no festival deste ano. Os demais filmes da programação também são bastantes políticos e próximos da realidade, garantiu Kosslick.

Zemestan, de Rafi Pitt, um testemunho do cotidiano em Teerã, é a primeira contribuição iraniana ao festival em anos. A produção bósnia Grbavica, de Jarmila Zbanic, mostra os efeitos da Guerra dos Bálcãs sobre um adolescente. O ator e diretor italiano Michele Placido descreve um "sindicato de ladrões" romano em Romanzo Criminale. Syriana (EUA), de Stephen Gaghan, lança um olhar crítico sobre a atuação de grandes empresas no Oriente Médio.

Logo Berlinale Internationale Filmfestspiele

56ª Berlinale, de 9 a 19 de fevereiro

O 56º Festival de Cinema de Berlim, realizado entre 9 e 19 de fevereiro, inclui 26 filmes na seção oficial, dos quais 19 participarão da competição pelo Urso de Ouro e o restante será apenas exibido ao público:

  • Snow Cake, de Marc Evans (Grã-Bretanha / Canadá)
  • En soap, de Pernille Fischer Christensen (Dinamarca)
  • Syriana, de Stephen Gaghan (EUA) (fora do concurso)
  • Slumming, de Michael Glowogger (Áustria)
  • The New World, de Terence Malick (EUA) (fora do concurso)
  • Elementarteilchen, de Oskar Roehler (Alemanha)
  • The science of sleep, de Michel Gondry (França) (fora do concurso)
  • Grbanica, de Jasmila Zbanic (Bósnia)
  • A Prairie Home Companion, de Robert Altman (EUA)
  • Wuji, de Chen Kaige (China) (fora do concurso)
  • Der freie Wille, de Matthias Glasner (Alemanha)
  • El custodio, de Rodrigo Moreno (Argentina / Alemanha)
  • V for Vendetta, de James McTeigue (EUA) (fora do concurso)
  • Invisible Waves, de Pen-ek Ratabaruang (Tailândia)
  • The Road to Guantánamo, de Michael Winterbottom (Grã-Bretanha)
  • Zemestan, de Rafi Pitts (Irã)
  • Sehnsucht, de Valeska Grisebach (Alemanha)
  • Romanzo Criminale, de Michele Placido (Itália)
  • Candy, de Neil Armfield (Austrália)
  • Isabela, de Pang Ho-Cheung (China)
  • L'ivresse du pouvoir, de Claude Chabrol (França)
  • Find me Guilty, de Sidney Lumet (EUA)
  • Offside, de Jafar Panahi (Irã)
  • Requiem, de Hans-Christian Schmid (Alemanha)
  • Capote, de Bennett Miller (EUA) (fora do concurso)
  • Pat Garret & Billy the Kid: Special Edition, de Sam Peckinpah (EUA) (fora de concurso)

    Os filmes da seção Perspectiva Cinema Alemão 2006 são:

    • Auszeit (Time Out), de Jules Herrmann
    • Der die Tollkirsche ausgräbt (Digging For Belladonna), de Franka Potente
    • Esperanza, de Zsolt Bács
    • Hochhaus (Towerblock), de Nikias Chryssos
    • Katharina Bullin – Und ich dachte ich wär’ die Größte (Katharina Bullin – And I Thought I Was the Greatest), de Marcus Welsch
    • Der Lebensversicherer (Running On Empty), de Bülent Akinci
    • Nichts weiter als (Nothing More Than), de Friederike Jehn, Sebastian Stern, Jens Schillmöller, Lale Nalpantoglu e Lars Büchel
    • Schöner leben (Riding Up Front), de Markus Herling
    • Vier Fenster (Four Windows), de Christian Moris Müller
    • Warum halb vier? (why tree.thirty – you´ll never walk alone), de Lars Pape
    • Wholetrain, de Florian Gaag
    • Neun Szenen (Nine Takes), de Dietrich Brüggemann

      A participação brasileira no festival deste ano é reduzida. O ciclo paralelo Fórum mostra Atos dos Homens, de Kiko Goifman, uma co-produção teuto-brasileira. Além do longa Casa de Areia, de Andrucha Waddington e do documentário Meninas, de Sandra Werneck e Gisela Câmara ), o festival mostra o curta Sexo e Claustro, de Cláudia Priscilla, na mostra Panorama.

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