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Mundo

Berlim vai dizer não à guerra na ONU

A Alemanha não aprovará uma resolução na ONU que justifique uma guerra no Iraque, anunciou o chanceler federal, Gerhard Schröder. Ele confirmou que, sob a sua liderança, o país não participará de uma guerra.

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Gerhard Schröder: não esperem que a Alemanha legitime uma guerra

Não era segredo que a Alemanha se nega a legitimar uma guerra contra o Iraque. A surpresa agora foi o fato de o chefe de governo alemão ter feito a revelação publicamente, pela primeira vez, antes de se saber como e quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas em Nova York vai decidir sobre uma intervenção militar dos Estados Unidos no Iraque.

"Eu já avisei especialmente os nossos amigos franceses e outros: não esperem que a Alemanha aprove uma resolução que legitime a guerra", disse Schröder num comício em Goslar, na Baixa Saxônia, cujo Parlamento estadual será eleito em 2 de fevereiro. Ele acrescentou que o Iraque tem de ser desarmado, caso possua armas de destruição em massa, mas partiu do pressuposto de que tal desarmamento é possível através de meios pacíficos.

Schröder disse o categórico não do seu governo a uma intervenção militar no Iraque, pela primeira vez, na campanha eleitoral de 2002, e gerou a pior crise nas relações bilaterais com os Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial. Agora, ele adiantou como será o voto da Alemanha no Conselho de Segurança, caso o grêmio máximo da ONU vote uma resolução sobre a guerra. Antes disso, havia dito não acreditar numa ação militar isolada dos Estados Unidos, sem um mandato da ONU.

Controvérsias internas e externas

O não da coalizão social-democrata e Verde alemã a uma guerra divide as opiniões dentro e fora da Alemanha. O presidente da Assembléia Nacional da França, Jean-Louis Debré, destacou que a posição da Alemanha não seria muito diferente da do seu país. O presidente francês, Jacques Chirac, já disse que uma guerra contra o Iraque no momento não seria necessária nem desejada. Mas, ao contrário do categórico não de Berlim, Paris deu um muito elástico e com isso se poupou de uma contenda com Washington.

O ministro britânico para questões da Europa, Denis MacShane, por outro lado, insinuou que o Conselho de Segurança não precisaria da ajuda alemã para aprovar uma guerra contra o Iraque. "A ONU vai cumprir o seu dever nessa questão, também sem a Alemanha, e impedir que Saddam Hussein continue fazendo o que faz até hoje", disse ele à emissora britânica BBC. A Grã-Bretanha é o único aliado incondicional dos EUA.

Povo apóia não à guerra

Schröder não deixa de ter razão quando diz que sua a rejeição a uma guerra no Iraque encontra cada vez mais compreensão entre os parceiros na Europa e no mundo. A oposição alemã é que estaria se isolando em função de suas críticas à posição oficial de caráter pacifista, segundo ele. De fato, 69% dos alemães acham que a Alemanha deve votar na ONU contra uma guerra no Iraque e 20% são favoráveis a uma abstenção, segundo uma pesquisa do Instituto Forsa encomendada pela emissora de tevê RTL e a revista Stern.

O candidato a governador da Baixa Saxônia, o democrata-cristão Christian Wulff, criticou Schröder. Ele disse que o governo deveria aguardar o relatório do chefe da Comissão de Inspeção de Armas da ONU no Iraque, Hans Blix, para depois pensar em suas conseqüências no Conselho de Segurança em Nova York. O presidente da União Social-Cristã (CSU), Wolfgang Stoiber, também já havia exigido uma sintonia de Berlim com os aliados europeus. O governador do Hessen, o democrata-cristão, Roland Koch, acusou o governo Schröder de negar solidariedade internacional.

Acusações velhas

Os Estados Unidos acusam o Iraque de ainda possuir armas atômicas, químicas e biológicas, o que foi terminantemente proibido ao regime de Bagdá depois da Guerra do Golfo deflagrada por causa da invasão do Kuwait por tropas iraquianas em 1990. A Comissão Especial da ONU para o Desarmamento do Iraque esteve no país entre 1991 e 1998 e destruiu grande quantidade de armas.

Washington e Londres insistem que Bagdá ainda possui um arsenal de armas de destruição em massa e se recusa a cooperar com os inspetores de armas da ONU que se encontram no país. O relatório final de Blix sobre o arsenal iraquiano só deverá ser entregue ao Conselho de Segurança da ONU em 21 de fevereiro. Mas os preparativos dos EUA e da Grã-Bretanha para a guerra prosseguem e parte da imprensa americana já anunciou o início para meados do mês que vem.

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