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Mundo

Berlim protesta contra Bush

Tirano? Aliado? Amigo? Aproveitador? Uma coisa é certa: se depender da esquerda alemã, a estada do presidente George W. Bush em Berlim não será para repouso.

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Manifestantes protestaram contra Bush e cobraram empregos da coalizão alemã social-democrata e verde

Faca de dois gumes: enquanto os atentados de 11 de setembro estreitaram consideravelmente os laços entre os governos de Berlim e Washington, a postura belicosa e insensível do atual chefe de Estado norte-americano parece granjear a antipatia dos alemães com uma intensidade sem precedentes.

O contraste entre a imagem de Bush e a de seus antecessores está bem ilustrada num dos cartazes que ocupam os muros de Berlim. Parafraseando famosa declaração de John F. Kennedy dos tempos da Guerra Fria, um sisudo Tio Sam afirma: "Mr. President, você não é um berlinense".

Na tarde da terça-feira (21), cerca de 17 mil pessoas, segundo a Polícia - ou 100 mil, conforme os organizadores -, realizaram em Berlim a primeira passeata anti-Bush. Ao que tudo indica, inaugurando uma longa série, o que levou o governo a reforçar o esquema de segurança na capital alemã, praticamente isolando o centro da cidade. De Washington, Bush lamentou que "um presidente dos EUA não possa mais passear pelas ruas" berlinenses.

O protesto desta terça foi convocado pelo movimento Eixo da Paz, que reúne cerca de 250 organizações pacifistas, ambientalistas e antiglobalização. Os manifestantes exigem o fim da chamada "guerra contra o terrorismo" e a retirada do Exército alemão das regiões de crise. O "direito de autodefesa", propagado pelos EUA, seria apenas pretexto para expandir uma "nova ordem no mundo", onde uma minoria toma para si todos os recursos do planeta, empregando todos os meios militares e econômicos possíveis.

Os participantes da passeata pediram ainda que o governo Gerhard Schröder contribua para a distensão e para a solução política dos atuais problemas, ao invés de oferecer "solidariedade incondicional" aos Estados Unidos. Uma paz justa significa direitos e oportunidades iguais para todos.

Uma faixa com os dizeres "Boicote ao Quarto Reich de Israel", ao lado de bandeiras palestinas, causou acirrada discussão entre os manifestantes. Pouco mais tarde, ela foi retirada.

Intolerância na esquerda

Antes da passeata, um comício do Partido Verde, reunindo cerca de 200 pessoas, foi interrompido por 15 manifestantes que invadiram o palanque aos gritos de "Verde é guerra! Traidores! Hipócritas!", tendo que ser contidos pela polícia.

O incidente ocorreu durante o discurso do norte-americano Norman Birnbaum, um dos mais ativos opositores de Bush. Presidente do Partido Verde, Claudia Roth lembrou que o sociólogo representa justamente "a outra América", classificando a interrupção como "um ato de intolerância".

O Partido do Socialismo Democrático (PDS), sucessor do partido único da antiga Alemanha comunista, também organizou seu próprio comício, reunindo centenas de participantes. A presidente Gabi Zimmer acusou o governo Schröder de "covardia diante do amigo" e de agir irresponsavelmente.

Temor do governo

Dez mil agentes de segurança estarão de prontidão durante as 20 horas da estada de Bush na Alemanha. Trata-se da maior mobilização policial na história da capital alemã, desde 1945. O ministro do Exterior, Joschka Fischer, alertou para o perigo de propagar antiamericanismo através de protestos violentos, mostrando para o mundo uma imagem extremamente negativa dos ativistas alemães.

Segundo o governo federal, quem confundir liberdade de manifestação com arruaça deverá contar com dura resistência das forças de segurança. Berlim relembrou ainda que os EUA são os "mais importantes aliados da Alemanha", e que estas manifestações só são possíveis graças a décadas de empenho dos norte-americanos a favor de Berlim.

Autoconfiança dos EUA

Apesar de tudo, o governo norte-americano não vê a onda de protestos na Alemanha, contra a visita de Bush a Berlim, como o sinal de um abismo crescente entre os Estados Unidos e a Europa. A assessora nacional para assuntos de segurança, Condoleezza Rice, declarou em Washington não estar preocupada com um distanciamento entre os dois países, que considera fortes parceiros, ligados por valores comuns. Rice minimizou a ameaça, lembrando que também em seu país têm ocorrido manifestações contrárias à política de Bush.

O presidente dos Estados Unidos inicia nesta quarta-feira (22) seu giro de uma semana pela Europa. Juntamente com sua esposa, Laura, ele se hospedará em Berlim no tradicional Hotel Adlon, em torno do qual se concentrará boa parte das forças de segurança. Na quinta-feira, o chefe de Estado parte para a Rússia, após discursar no Bundestag, o parlamento federal alemão.

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