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Cultura

Berlim ganha nova estação central para a Copa 2006

Projeto milionário prevê centralização da chegada e partida de passageiros e provoca protestos pela desativação das atuais estações para trens de longa distância.

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A nova Lehrter Bahnhof

Com inauguração prevista para 28 de maio de 2006, a nova estação ferroviária central de Berlim (Hauptbahnhof) – construída sobre a antiga estação Lehrter Bahnhof –representa o maior projeto de infra-estrutura em realização na Alemanha.

Localizada no bairro Tiergarten , não muito longe do Portão de Brandemburgo e do prédio do Parlamento alemão (antigo Reichstag), a nova estação é um dos símbolos da nova Berlim e vem substituir as estações do Jardim Zoológico (Zoologischer Garten) e a estação do Leste (Ostbahnhof) para o desembarque de passageiros que chegam a Berlim com os trens de longa distância (ICE).

A construção deverá estar pronta pontualmente para o início da Copa do Mundo em 2006 e faz parte de uma série de melhorias que o governo está fazendo na malha ferroviária alemã com o intuito de diminuir o tempo de viagem entre as cidades-sede do evento e de modernizar suas estações.

Arquitetura para o século 21

O projeto, assinado pelo escritório hamburguês gmp (von Gerkan, Mark e Partner), vencedor do concurso realizado em 1993, prevê a intersecção dos traços ferroviários leste-oeste e norte-sul, ou seja, dos trens que trafegam da França à Rússia e da Itália à Dinamarca, transformando a estação de Berlim no maior entrocamento ferroviário construído até então na Europa – combinando-a com um sistema de linhas de metrô e trens suburbanos.

A Hauptbahnhof-Lehrter Bahnhof é a peça-chave do projeto de entroncamento ferroviário berlinense, que desde 1990 já consumiu mais de dez bilhões de euros. Os traços leste-oeste estão localizados a dez metros do nível da rua, os norte-sul são subterrâneos, estando 15 metros abaixo do nível do solo. Uma coberta de vidro em forma de membrana com 321 metros de comprimento encobre o traço leste-oeste. Este traço é coberto por sua vez por duas torres de escritórios de 12 andares cada e um pavilhão coberto de vidro com 210 metros de comprimento e 42 metros de largura.

Lehrter Stadtbahnhof im Bau

Instalação dos perfis metálicos para sustentação das torres de escritórios

Uma série de inovações técnicas tem atraído visitantes do mundo todo ao canteiro de obras da estação. Além da cobertura curva em forma de membrana feita com 9117 diferentes peças de vidro sustentadas em sistema planar, que utiliza o painel de vidro como componente estrutural – coqueluche dos arquitetos europeus nos anos 90 e que agora chega ao Brasil –, o projeto da estação apresenta uma série de novidades: trilhos sobre uma camada elástica para não perturbar os trabalhos administrativos nos prédios governamentais, 30 novos diferentes tipos de lâmpadas especialmente desenvolvidas para a iluminação, imperceptíveis cabos de força embutidos na laje de onde os trens subterrâneos retiram sua energia.

Segundo informações da rede ferroviária alemã (Deutsche Bahn) deverão passar pela nova estação até 2010 mais de 50 milhões de passageiros de trens de longa distância e outros 85 milhões de trens suburbanos e regionais.

Adeus Christiane F.

Apesar das inovações, o projeto da nova estação talvez seja o mais discutido entre todos os projetos que pretendem definitivamente transformar Berlim na capital de uma grande nação. A resistência inicial vem dos próprios berlinenses – absolutamente perplexos com as transformações que sua cidade vem sofrendo desde a queda do Muro em 1989.

É interessante lembrar que Berlim somente se tornou capital da Alemanha a partir dos anos de 1870, com a unificação alemã em torno do imperador prussiano efetuada por Bismarck. Após a Segunda Guerra Mundial e até o ano 2000 foi Bonn a capital da República Federal Alemã.

Muitos berlinenses ainda hoje não se habituaram ao status de capital e à decisão da rede ferroviária de destinar a centenária estação do Jardim Zoológico, mais conhecida como estação Zoo, somente para trens municipais – o que na opinião dos moradores prejudicaria os comerciantes locais e aumentaria ainda mais o número de automóveis nas ruas.

Bahnhof Zoo

A estação Zoo

Em torno da estação Zoo concentrava-se nos anos da Guerra Fria uma enorme cena alternativa de jovens, punks e viciados em heroína que viam em Berlim uma fuga às opressões do mundo capitalista. Este entorno tornou-se mundialmente famoso através do filme Nós, Crianças da Estação Zoo, de 1981, baseado na biografia de Christiane Vera Felscherinow – Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída..., que virou símbolo de uma geração perdida e sem ideologias do começo dos anos 80.

Por outro lado, estavam neste entorno também os principais centros comerciais da Berlim Ocidental – leiam-se Europacenter, Kadewe, etc – que por sua vez representavam para os alemães de ambos os lados do Muro tudo de bom que o sistema capitalista poderia oferecer.

Com a desativação da estação Zoo para trens de longa distância e a criação de uma nova estação central – muito maior e centralizadora –, os alemães tentam pegar o trem de alta velocidade da história e transformar Berlim definitivamente em uma metrópole mundial. Mas tem-se a impressão de que os berlinenses preferirão pegar os trens de subúrbio.

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