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Cultura

Berlim ganha Academia Muçulmana

A primeira Academia Muçulmana Alemã foi inaugurada em Berlim com o intuito de aumentar a conscientização política de cidadãos muçulmanos. Sem excluir ninguém – nem mesmo os mais radicais.

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Prédio onde funciona a nova academia

A Academia Muçulmana Alemã iniciou em meados de dezembro suas atividades em uma época difícil, na qual a comunidade islâmica é alvo constante de críticas do governo e da opinião pública. Seus organizadores sabem que não escaparão a esta prova. Mas o ceticismo vem de todos os lados – inclusive de outras associações islâmicas do país.

Mesmo assim, o presidente, Abdul Hadi Christian Hoffman, um alemão convertido, nega que sua instituição venha sofrendo rejeição por parte da comunidade e garante que qualquer muçulmano é bem-vindo. "Nós não somos representativos, não fomos eleitos", argumenta. "Somos um grupo de muçulmanos que tomaram a iniciativa de oferecer oportunidades de ensino. Apenas complementamos aquilo que fazem outras comunidades, não competimos com elas."

"A linguagem da razão"

Representantes do governo, de institutos de ensino superior e de outras organizações islâmicas participaram da cerimônia de inauguração, entre elas Marieluise Beck, representante do governo para assuntos ligados a Migração, Refugiados e Integração. Segundo ela, a academia deveria trabalhar para tornar mais visível a diversidade dentro da própria comunidade islâmica e, devido aos diversos preconceitos contra a religião, "dar voz à linguagem da razão e chamar pelo nome cada uma das áreas duvidosas".

Thomas Krüger, presidente da Centro Federal de Educação Política, elogiou a futura contribuição da academia na educação de jovens muçulmanos. Segundo ele, diante do crescente totalitarismo no Islã, é preciso debater a questão dentro das fronteiras da religião. "Um diálogo aberto entre as culturas seria o caminho errado", argumentou.

Prof. Muhammad Sven Kalisch, Ausbildung zum Islamlehrer

Prof. Muhammad Kalisch

O contra-argumento veio de Muhammad Kalisch, professor deTeologia da Universidade de Münster. Para ele, necessário seria um diálogo entre diferentes culturas que não fosse "emocional". A academia deveria debater a crítica dirigida aos muçulmanos e eles próprios deveriam desenvolver uma "habilidade para a autocrítica".

Um lugar para aprender

A direção da academia é composta por membros de diferentes espectros da sociedade, tanto no sentido político quanto religioso. Entre eles, estão a ex-encarregada de estrangeiros de Berlim, Barbara John, e os especialistas em estudos islâmicos Jamal Malik e Rabbi Elisa Klappheck.

Até agora, reações de outras organizações islâmicas têm variado "do interessado ao esperar para ver". Claudia Dantschke, jornalista que acompanha a situação dos muçulmanos na Alemanha, disse que a nova academia poderia ajudar a ativar muçulmanos mais liberais e modernos em todo o país.

Para Hoffmann, os que mais se mostraram interessados na nova academia foram muçulmanos com pouco ou nenhum interesse pela religião tradicional. "Recebemos e-mails, telefonemas e cartas de muçulmanos que não fazem parte de nenhum grupo organizado", conta. "Eles nos disseram que este é o caminho certo e que enfim há um lugar legal onde eles podem aprender algo. Isso significa que muçulmanos que nunca mostraram ativamente seus interesses, agora mostram um interesse enorme por uma instituição de caráter educacional".

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