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Economia

Berlim e Paris anunciam iniciativa econômica

Com um programa conjunto de investimentos, a Alemanha e a França querem fomentar a conjuntura na Europa. A iniciativa para o crescimento econômico foi o ponto central das consultações teuto-francesas em Berlim.

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Chirac e Schröder querem fomentar a conjuntura econômica européia

O planejado programa de crescimento inclui grandes projetos infra-estruturais, como a rede de satélites de navegação Galileo e a ampliação do sistema europeu de trens de alta velocidade. Além disto, existem projetos nos setores de informática, de comunicação e de biotecnologia. Mas, ao contrário do programa infra-estrutural da União Européia, anunciado pela presidência italiana da UE, a iniciativa teuto-francesa não inclui grandes objetos de prestígio.

Os investimentos necessários à execução do programa conjuntural teuto-francês deverão ser financiados com créditos de baixos juros do Banco Europeu de Investimentos, bem como de outros fundos europeus. A Alemanha e a França são motivo de crítica dentro da União Européia, em face do seu elevado déficit orçamentário. Ambos os países deverão ultrapassar este ano, uma vez mais, o limite de novo endividamento público, estabelecido no Pacto de Estabilidade do euro, que é de 3% do PIB.

Estagnação da economia

O chanceler Gerhard Schröder afirmou que o Pacto de Estabilidade do euro tem de levar em consideração os "componentes de crescimento" encerrados nas dívidas feitas para o financiamento de investimentos infra-estruturais. O chefe de governo alemão reconheceu que a estagnação da economia alemã por três anos consecutivos também prejudica outros países europeus. Mas o próprio texto do Pacto de Estabilidade inclui as possibilidades de impulsos de crescimento.

A Alemanha está no caminho certo, afirmou Schröder, pois está implantando reformas estruturais e praticando, ao mesmo tempo, uma política de redução de impostos. O presidente francês, Jacques Chirac, e o chanceler alemão não quiseram mencionar dados concretos sobre os custos do programa conjunto de fomento conjuntural. Ambos ressaltaram, porém, que os investimentos não serão financiados pelos cofres públicos, mas principalmente pelo Banco Europeu de Investimentos.

Reações

A iniciativa conjunta dos governos de Berlim e de Paris não foi recebida apenas com entusiasmo. O presidente da Federação Alemã dos Empregadores, Dieter Hundt, reagiu com incredulidade. Segundo ele, "o mais importante é que nós façamos, em primeiro lugar, o nosso dever de casa". Hundt fez assim uma alusão ao problema do endividamento público alemão.

Já os sindicatos alemães aplaudiram a iniciativa. Segundo o diretor da Confederação Sindical Alemã (DGB), Heinz Putzhammer, começa a impor-se a constatação de que as economias nacionais européias "não podem sair da estagnação através da poupança". Para Putzhammer, o combate ao desemprego exige um aumento considerável dos investimentos públicos e isto não pode mais ser feito como iniciativa nacional isolada.

Também o ex-ministro alemão das Finanças, o social-democrata Oskar Lafontaine, saudou a iniciativa conjunta de Gerhard Schröder e Jacques Chirac. Sem uma política econômica conjunta, não se pode mais lograr "taxas razoáveis de crescimento" na Europa, afirmou Lafontaine. O ex-ministro defendeu também uma alteração do Pacto de Estabilidade do euro. A seu ver, quando a conjuntura fica estagnada, é preciso admitir que os governos gastem mais com medidas de investimentos.

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