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Mundo

Berlim celebra 12 anos de Alemanha unificada

A Alemanha comemora pela 12ª vez a sua unificação, nesta quinta-feira (3/10), Nessa data, os cinco estados da antiga República Democrática Alemã (RDA) filiaram-se formalmente à República Federal da Alemanha (RFA).

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O Portal de Brandemburgo, ainda oculto

O "Dia da Unidade Alemã" visa fomentar o sentimento de coesão do povo alemão, após décadas de separação. Em lugar de uma festividade centralizada no Parlamento federal, (Bundestag), o jubileu é organizado pelo estado que ocupa a presidência do Bundesrat, a câmara alta do Legislativo alemão. Em 2002, pela primeira vez a honra cabe ao estado de Berlim.

A precondição para esse evento histórico, e sua representação mais plástica, foi a queda do Muro de Berlim – extensão da Cortina de Ferro, separando o mundo comunista do capitalismo – em 9 de novembro de 1989. Mais do que uma data, a unificação da Alemanha é um processo, que ainda está longe completar-se.

O último chefe de Estado e de partido da União Soviética, Mikhail Gorbatchov, acredita que o principal obstáculo para a unidade interna é a dificuldade de alemães orientais e ocidentais para encontrar uma identidade comum. Em comparação, os problemas econômicos são bem menos graves. Sobretudo, seria vital considerar as experiências dos habitantes dos novos estados alemães. Estes criticam muito seus irmãos do oeste, porém reconhecem que as conquistas dos últimos anos deve-se à antiga RFA, afirmou o ex-presidente soviético, em entrevista à agência de notícias ddp.

Fosso econômico toma o lugar do Muro

Mais pragmático, Norbert Hansen, presidente do sindicato dos ferroviários Transnet, declarou: "A unidade completa depende decisivamente da equiparação das condições de vida no leste às do oeste. Enquanto se pagarem salários diferentes para o mesmo trabalho, talvez não exista mais um muro, porém há fossos que continuam separando. Ao mesmo tempo, a infra-estrutura no leste precisa ser expandida", insistiu Hansen.

Apesar da transferência de recursos bilionários, do oeste para o leste, nestes 12 anos, a taxa de desemprego nos novos estados continua beirando os 18% e o PIB encontra-se estagnado desde 1997. Assim, os jovens do antigo território comunista continuam deixando suas cidades natais, para ir tentar a sorte no promissor oeste: em 2001 eles foram 98 mil.

Será que a Alemanha unificada é um fiasco irrecuperável, que os alemães fizeram tudo errado? Tal opinião é rebatida por Rüdiger Pohl, presidente do Intituto de Pesquisa econômica, sediado em Halle. Ele evoca a situação original, em 1990: "A economia arrazada e sem qualquer competitividade internacional. Nesse meio tempo construiu-se muito e a mudança estrutural ainda é grande: nossos esforços vão durar pelo menos mais uma geração". Pohl percebe indícios de uma evolução econômica positiva no leste alemão: lá a indústria seria altamente dinâmica, com bastante sucesso nos mercados internacionais e índices de crescimento superiores aos do oeste.

Uma questão de orgulho

No centro das comemorações em Berlim estará a reinauguração do Portal de Brandemburgo, reformado e com nova iluminação, após dois anos oculto por tapumes e out-doors. Dos convidados de honra consta o ex-presidente norte-americano, Bill Clinton, que em 1994 discursou diante daquele monumento, seguindo o exemplo de seus antecessores John F. Kennedy e Ronald Reagan. Talvez um pequeno consolo para o premiê alemão, Gerhard Schröder, depois que George Bush, recusou-se a congratulá-lo pela reeleição.

A reunificação da Alemanha foi em grande parte mérito dos alemães orientais: em meados de 1989, protestaram sem cessar nas ruas, acabando por dobrar pacificamente o regime comunista. Alguns classificam o evento como "a primeira revolução vitoriosa em solo alemão". Entretanto, o patriotismo continua sendo uma questão delicada para este povo, mesmo neste Dia da Unidade.

A exploração dos sentimentos nacionais para fins discutíveis – pelos nazistas de 1933 a 1945 e pelos comunistas de 1945 a 1989 – tornou os alemães desconfiados. A maioria envergonha-se de manifestar abertamente qualquer forma de orgulho por seu país, exceto durante os grandes eventos esportivos.

Entretanto, muita água passou por debaixo da ponte, nestes quase 70 anos: a Alemanha é um dos propulsores da união européia, ela contribui para o processo internacional e põe seus soldados à disposição da paz. Com todas as suas dificuldades econômicas, ainda é a segunda mais importante nação do comércio mundial, depois dos Estados Unidos. Além disso, fornece asilo a perseguidos políticos e garante liberdade de religião e de opinião, até mesmo àqueles que desprezam essas liberdades.

Wolter von Tiesenhausen, redator da DW-Berlim, sintetiza assim a questão do sentimento patriótico: "Não, a Alemanha, não precisa se esconder. (...) O fato de seus cidadãos mostrarem orgulho com mais reserva do que em outros países demonstra que aprenderam com sua história tão atribulada. Eles sabem que patriotismo não se mede pelo volume do júbilo ou pela quantidade das bandeiras de cores negra, vermelha e amarela. Mais importante é a disponibilidade de empenhar-se pela comunidade e, portanto, pelos outros seres humanos".

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