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Brasil

Berlim: a terra de origem

"Ser judeu é algo que você carrega consigo", diz o berlinense Lutz Landsberg, que depois da reunificação alemã descobriu parentes pelo mundo.

"Meu pai evitava essas coisas de confraternização familiar. Ele pouco falava sobre isso conosco, para evitar que se repetisse aquilo que ele vivenciou", diz Lutz Landsberg. Ele vive em Berlim, é casado e tem três filhos adultos. Seu pai era um judeu alemão, que aos 13 anos foi levado para a Inglaterra no que chamavam na época de Kindertransport – transporte de crianças.

Sobre o tempo na Inglaterra, seu pai falou tão pouco quanto sobre a internação no Canadá, que viria a seguir. E só pouco antes de morrer é que ele revelou ter sido tradutor nos julgamentos de alguns dos principais criminosos de guerra nazistas em Nurembergue.

Sobre seu retorno à Alemanha, Rolf Landsberg contou ao filho que foi uma escolha consciente: "Ele decidiu-se pela República Democrática Alemã (RDA) porque acreditava que ali poderia surgir uma Alemanha na qual poderia viver livremente, onde poderia se desenvolver. Era uma tentativa de fazer algo diferente", diz o filho Lutz.

O retorno no pós-guerra

Esta era uma esperança que o pai, Rolf, dividia com muitos emigrantes que voltaram no pós-guerra: a de que a Alemanha Oriental pudesse seguir um novo caminho. Lutz Landsberg estudou Economia. Na RDA, quem escolhia estudar Economia não podia manter contato com o Ocidente. "Foi aí que percebi pela primeira vez o que estava acontecendo com esse país. Percebi que não podia viajar para conhecer a parte da família que tinha emigrado, não podia reencontrá-los", diz Lutz.

Mesmo assim, de vez em quando ele recebia visitas, seja o tio do Canadá ou a família Hamburger do Brasil. E a alegria em receber os familiares nem era tanta, pois na sequência era preciso justificar a visita perante as autoridades. "Eu tinha a impressão de estar sendo encostado na parede", lembra o berlinense, que depois da queda do Muro de Berlim passou a viajar muito e com prazer, junto de sua esposa. Os dois têm necessidade de conhecer o mundo e a família cheia de ramificações em diversos continentes, à qual se sentem afetuosamente ligados.

Princípio básico

"Quando você vê essas semelhanças que temos na família, as opiniões parecidas que dividimos, você vê que isso é o decisivo, na verdade. Essa ligação familiar. E não o fato de que tivemos, algum dia, uma origem judaica", fala Lutz. Na casa de seus pais, não havia comida kosher, nem se frequentava a sinagoga.

"Não tínhamos nenhuma crença", diz. "Mas ser judeu é algo que você carrega consigo", completa. Fora isso, não é de grande importância: esse sempre foi um princípio básico da família, conta Lutz, lembrando uma frase que sua esposa, Ester, disse ao visitar o Museu Judaico de Berlim: "No momento em que você separa o judaísmo, acentuando quem era judeu, você está segregando de novo", repete Lutz Landsberg. "E isso eu acho digno de nota", conclui.

Autora: Silke Bartlick (sv)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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