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Mundo

Bento 16 visita "órfãos" de João Paulo 2º na Polônia

Em sua segunda viagem apostólica, o papa alemão visita a terra natal de seu antecessor e encontra-se com sobreviventes do Holocausto. Secularização e tendência antieuropéia no país preocupam o Vaticano.

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Papa permanece quatro dias na Polônia

"Eu vim para caminhar nos rastros da vida dele [de João Paulo 2º], desde sua infância até sua partida para o conclave de 1978", disse o papa Bento 16, ao desembarcar nesta quinta-feira (25/04) no aeroporto de Varsóvia para uma visita de quatro dias à Polônia.

Em sua segunda viagem apostólica, o papa alemão visita os "órfãos" de seu antecessor, João Paulo 2º. Além de Varsóvia, o roteiro passa por Czestochowa, Cracóvia, Wadowice e Kalwaria Zebrzydowska, no sul da Polônia, onde Karol Wojtyla nasceu e atuou como padre e bispo, antes de ser eleito papa em 1978.

Ex-espiões e rádio anti-semita

Papst Benedikt XVI. besucht Polen

Bento 16 foi recebido pelo presidente Lech Kaczynski

Em Czestochowa, que depois de Lourdes (França) e Fátima (Portugal) é o terceiro maior centro de peregrinação da Europa, o papa terá um encontro com os líderes da Igreja polonesa. Em pauta estarão temas delicados, como o "acerto de contas" com membros do clero que atuaram como agentes dos serviços secretos polonês e soviético na época do comunismo e as tendências anti-semitas e antieuropéias da conservadora Rádio Marija, que já foi enquadrada pela Santa Sé.

A emissora ganhou força sobretudo depois que lideranças populistas e católico-nacionalistas passaram a dar o tom no governo em Varsóvia. A rádio criticou o papa, que, por sua origem alemã, seria "suspeito" ao condenar o anti-semitismo.

Também a tendência antieuropéia do atual governo polonês preocupa o Vaticano, já que João Paulo 2º foi um ardoroso defensor da integração do país na União Européia. Roma esperava poder reevangelizar a Europa a partir da integração da Polônia na UE, o que não se concretizou.

Visita a Auschwitz-Birkenau

Papst Johannes Paul II. in Auschwitz

João Paulo 2º visitou Auschwitz em junho de 1979

A mídia internacional, porém, concentra suas atenções na visita que o papa fará neste domingo (28/05) ao ex-campo de concentração de Auschwitz-Birkneau, considerado o maior cemitério da Europa. Ao chegar a Varsóvia, Bento 16 já antecipou que pretende rezar com milhares de sobreviventes do Holocausto, oriundos de vários países, "para que as feridas do passado cicatrizem".

Em Auschwitz, Bento 16 será visto não apenas como papa, mas principalmente como alemão. No local, ele visitará também o Centro de Diálogo e Oração, um ponto de encontro internacional de jovens cristãos e judeus. Inicialmente, os judeus protestaram contra esse centro, temendo que fosse transformado num memorial católico, mas hoje o aceitam.

"O papa precisa dizer o que significa ser Igreja depois de Auschwitz", afirmou o coordenador do centro, o alemão Manfred Deselaers, em entrevista à Deutsche Welle.

Europa é prioridade

A segunda viagem de Bento 16 (a primeira foi à Jornada Mundial da Juventude em Colônia, no ano passado) não só está sob o signo da continuidade em relação ao seu antecessor. Ela é interpretada também como um sinal de que o papa prioriza o continente europeu. Além da Polônia, ele visitará ainda este ano a Espanha, a Turquia e sua terra natal, o Estado alemão da Baviera.

A visita à Polônia não será marcada apenas por gestos nostálgicos. Bento 16 chegou ao país, outrora considerado "modelo" em termos de catolicismo, também com uma missão religiosa: frear a rápida secularização da Polônia, que tem uma das taxas de aborto mais altas da Europa, o que não agrada à Santa Sé.

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