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Cultura

Bem-vindo ao presente, Kraftwerk!

O grupo alemão de Düsseldorf acaba de lançar seu primeiro álbum em 17 anos e confundiu a crítica alemã ao unir novas canções a temas antigos.

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Kraftwerk: novo disco após quase 20 anos de silêncio

A Volta da França completou em julho seu centésimo aniversário. Oportunidade ideal para o Kraftwerk lançar Tour de France Soundtracks, pondo fim a um intervalo de quase duas décadas desde o lançamento de Electric Café, em 1986. Neste meio tempo, a música pop mudou de cara e gêneros como tecno e electro invadiram pistas de dança e paradas de sucessos em diversos cantos do mundo.

Houve um tempo em que era fácil imaginar o futuro: cientistas, designers, escritores e cineastas se empenharam em compor uma imagem com a qual assimilavam o que estava por vir. Esta imagem foi aos poucos assimilada e muito do que vivemos hoje contém os sonhos e promessas desses visionários. Com a música não poderia ter sido diferente. E não seria ousado dizer que foi o Kraftwerk quem previu e desenhou o panorama musical de hoje.

Estereótipo alemão? - Após o estouro da música folk e do movimento hippie nos anos 60, o mundo redescobria o rock. Contrariando as tendências da época, quatro estudantes de Düsseldorf, vestindo gravatas e cabelos repartidos ao meio, apresentaram em 1974 seu primeiro single, Autobahn. O pioneirismo de sua música era para a época quase inaceitável. Até na escolha dos temas o grupo impressionava, como em Radio-Aktivität, de 1975, e Die Mensch-Maschine (A máquina humana), de 1978, que, em tempos de guerra-fria, trazia trechos cantados em russo por vozes digitais. Comparações com a estética fascista não faltaram, e o grupo acabou sendo mais aceito internacionalmente do que em casa.

E não foi pouco seu sucesso internacional. DJs norte-americanos descobriram o som do quarteto e as diversas remixagens que seguiram são consideradas o marco inicial do techno, gênero que nos anos 90, quase 15 anos depois, seria considerado retrato de uma nova geração. O quarteto, liderado por Ralf Hütter e Florian Schneider, mas com diversas formações, é hoje considerado por muitos o estereótipo da banda alemã: perfeccionista, frio e competente. Típicos "homo teutonicus pop", nas palavras do jornal Süddeutsche Zeitung.

O velho novo álbum

Não é à toa que o lançamento de um novo álbum do Kraftwerk seja acompanhado de enormes expectativas. Boatos de que o grupo estivesse prestes a trazer às lojas seu disco de retorno surgiam com uma freqüência quase anual. É claro que a crítica alemã se perguntava como é que deveria soar o novo disco diante de tantas outras vanguardas eletrônicas. E se, como disse Ralf Hütter em uma entrevista ao site Spiegel Online, a banda nunca cessou de trabalhar em seu próprio estúdio, Kling Klang, então tinha que ser "o álbum pop perfeito, algo que resumisse o gênero techno/electropop e anunciasse seu fim", acreditava o jornal Berliner Morgenpost.

Passado o lançamento, a imprensa alemã parece incomodada, até insatisfeita. Apesar dos numerosos artigos elogiando o lançamento nos principais jornais, aos méritos seguem os poréns. O disco contém o velho hit original de 83, Tour de France, acrescido de um prólogo e de uma nova versão dividida em três "etapas". Além disso, traz outras sete canções inéditas, que, segundo o Tagesspiegel, "merecem muito mais do que respeito histórico". Mas o mesmo jornal aponta um aspecto perturbador: "o que não se esperaria da máquina de projeção Kraftwerk: comentários sobre o capitalismo global ou sobre a moderna propaganda de guerra".

Não, isso não esteve na pauta da banda nos últimos 17 anos, durante os quais os únicos sinais de vida foram um álbum de remixes e a música tema da Expo 2000, em Hanôver. Pelo contrário: o Kraftwerk apresenta um álbum musicalmente auto-referente, no qual repete o tema de 20 anos atrás. Nas palavras do jornal Die Welt, o lançamento do grupo, "cansado e lesado por décadas de pesquisa em estúdio", é como um Lance Armstrong que cruza a linha da vitória triste e abatido. Terá o Kraftwerk finalmente chegado ao presente?

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