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Economia

BCE restringe financiamento de bancos gregos

Pouco após visita de Varoufakis, Banco Central Europeu anunciou que títulos da dívida pública grega não serão mais aceitos como garantia para empréstimos, o que acaba com exceção criada no programa de resgate da Grécia.

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou nesta quarta-feira (04/02) que deixou de aceitar títulos da dívida pública grega como garantia em operações de refinanciamento. Na prática, isso significa que os bancos gregos não poderão mais usar os títulos emitidos pelo governo grego como garantia para obter um empréstimo no BCE.

A decisão dificulta o acesso dos bancos gregos a dinheiro e os obriga a buscar recursos na linha de empréstimos de emergência do Banco Central da Grécia. A decisão vale a partir de 11 de fevereiro.

No âmbito do programa de resgate para a Grécia, o BCE aceitava títulos do governo grego como garantia de empréstimos, mesmo que estes no momento tenham uma nota (rating, emitido por agências de avaliação de risco) equivalente a "lixo".

O BCE afirmou que suspendeu esse regime favorável, do qual se beneficiavam os bancos gregos, "por considerar não ser possível, neste momento, antecipar uma resolução positiva" do programa de ajuda internacional aplicado na Grécia. Além disso, a decisão está em conformidade com as regras da zona do euro, afirmou a autoridade monetária europeia.

Nos seus primeiros dias, o governo do novo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, deu sinais de que não pretende cumprir as condições acertadas com os credores do programa de resgate. Além do próprio Banco Central Europeu, são credores o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Comissão Europeia, a chamada troica.

Em busca de apoio na Europa

A decisão do BCE foi anunciada poucas horas depois de o novo ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, ter se encontrado com o presidente do BCE, Mario Draghi, em Frankfurt. O governo grego tenta renegociar os termos do programa de resgate de 240 bilhões de euros.

O anúncio deve influenciar o aguardado encontro de Varoufakis com o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, nesta quinta-feira em Berlim. A Alemanha já reiterou diversas vezes que é contra a renegociação dos termos do empréstimo e descarta com veemência um corte da dívida grega.

Desde que assumiram os cargos, Tsipras e Varoufakis estão viajando pela Europa para obter apoio a uma renegociação do programa de resgate. Eles sinalizaram que estariam dispostos a abrir mão de um corte da dívida em troca de uma de uma série de medidas de conversão desse débito (debt swap, no jargão econômico).

Reações

O governo grego reagiu com tranquilidade à decisão do Banco Central Europeu. Segundo o Ministério das Finanças, não haverá um impacto negativo no setor financeiro do país, que continua "completamente protegido" por outros canais de liquidez ainda disponíveis.

Mas a decisão coloca pressão no Eurogrupo – o grupo dos ministros das Finanças da zona do euro – para uma rápida conclusão de um acordo favorável a todos sobre o futuro da dívida grega e as reformas econômicas no país, acrescenta o comunicado.

Em Frankfurt, Paris e Londres, as principais bolsas de valores europeias abriram em leve queda nesta quinta-feira, depois do anúncio do BCE. Em Atenas, a queda no início do pregão foi de 9%.

AS/rtr/afp/lusa