BCE injeta quase 500 bilhões de euros em bancos europeus | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 21.12.2011
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Economia

BCE injeta quase 500 bilhões de euros em bancos europeus

Numa operação inédita, mais de 520 instituições financeiras pegaram empréstimos com juros de 1% ao ano e vencimento em três anos. Objetivo do BCE é prover liquidez aos bancos.

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Os bancos da zona do euro receberam do Banco Central Europeu (BC), nesta quarta-feira (21/11), empréstimos de quase meio trilhão de euros graças à nova linha de crédito com condições muito favoráveis lançada pela entidade.

O primeiro dos dois leilões de liquidez de três anos previstos liberou 489,2 bilhões de euros a 523 bancos no continente. O montante ficou bem acima dos 300 bilhões esperados pela maioria dos analistas.

Europäische Zentralbank EZB Mario Draghi Berlin

Mario Draghi anunciara a medida no início de dezembro

Este é o maior valor de crédito solicitado pelos bancos num único leilão, de acordo com o BCE. Os novos empréstimos com vencimento em 2014 e a uma taxa de juros atual de 1% (indexada à taxa básica da instituição) visam melhorar a liquidez dos bancos europeus que, em tempos de crise, emprestam cada vez menos dinheiro entre si.

O presidente do BCE, Mario Draghi, havia anunciado a medida há duas semanas. É a primeira vez na história do BCE que a instituição empresta recursos a um prazo tão longo. As autoridades monetárias querem impedir que haja uma crise de crédito na zona do euro e que os bancos não tenham dinheiro suficiente para emprestar às empresas.

Essa foi a primeira das duas operações previstas, chamadas ORPA (sigla em inglês para "operação de refinanciamento a longo prazo”). A segunda deverá acontecer em 29 de fevereiro.

Deutschland EZB Währung Euro Symbolbild Münzen

Empréstimo visa dar liquidez a bancos europeus

Críticas

Alguns economistas afirmam que ação do BCE representa uma transferência indireta de dinheiro para os bancos, que podem usar o dinheiro barato do empréstimo para comprar títulos de países endividados, como a Itália. Estes estão pagando juros anuais superiores a 6%.

Assim, os bancos pegariam empréstimos com juros de 1% e aplicaram o dinheiro a juros bem superiores, embolsando a diferença.

"Em princípio, é positivo que os bancos possam ter acesso a opções de refinanciamento a longo prazo", disse o economista do Commerzbank Michael Schubert. "Temos que ver, entretanto, como esses fundos serão utilizados", observou.

Na avaliação do banco alemão LBBW, o BCE disponibilizou aos bancos uma liquidez maciça, maior que a esperada. "No entanto, é duvidoso que a desconfiança no mercado interbancário pode ser quebrada", comenta a instituição.

A mesma avaliação faz o analista Michael Hewson, da empresa CMC Markets, que opera no mercado de derivativos. "A grande soma mostra apenas como é grande a tensão no mercado interbancário", comentou.

MD/rtr/lusa/dpa
Revisão: Alexandre Schossler

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