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Economia

BCE injeta bilhões de euros para impedir deflação e estimular economia

Redução da taxa de juros para nível histórico e juros negativos sobre depósitos dos bancos devem impulsionar sobretudo a economia dos países em crise na zona do euro.

O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) estava há muito tempo esperando para tomar algumas medidas, que, agora, saíram do papel – e, por unanimidade, como enfatizou o presidente do BCE, Mario Draghi. A base para a decisão foi a análise da conjuntura econômica concluída no início de junho pelos especialistas da instituição. As previsões futuras não são muito boas: a taxa de inflação deve ficar em 0,7% este ano, muito menor que os 2% definidos como meta de estabilidade de preços pelo BCE.

A inflação deve aumentar só nos próximos anos, e para apenas 1,4% em 2016. Ao mesmo tempo, especialistas reduziram a previsão de crescimento econômico na zona do euro para 1% este ano. Preços que não sobem, uma fraca recuperação da economia e uma moeda relativamente cara: para o BCE estava claro que era necessário agir.

Duas medidas já eram esperadas: o BCE reduziu sua taxa básica de juros de 0,25% para 0,15% – o valor histórico mais baixo até agora. Além disso, os bancos localizados nos 18 países do euro que armazenarem dinheiro no BCE terão de pagar para fazê-lo em vez de receber juros da instituição. Com isso, o BCE quer impulsionar os investimentos na economia e facilitar o crédito ao consumidor.

Dinheiro para a economia real

Em entrevista coletiva após o encontro do Conselho, Draghi anunciou que o BCE vai injetar mais de 500 bilhões de euros adicionais no mercado. Cerca de 400 bilhões de euros na forma de crédito barato com prazo de quatro anos para os bancos. O objetivo é impulsionar a concessão de créditos nos países em crise no sul da Europa.

EZB - Präsident Mario Draghi

Draghi diz que pacote deve restaurar o crescimento e estimular a recuperação econômica

Na passagem de 2011 para 2012, o BCE já tinha emprestado o total de 1 trilhão de euros com baixos custos aos bancos. Nessa época, várias instituições receberam o dinheiro e o seguraram, em vez de aumentar os empréstimos para as empresas. Draghi quer evitar a todo custo que isso se repita.

"Nós queremos fortalecer a concessão de crédito para as empresas que não fazem parte do setor financeiro", afirmou o presidente do BCE. "Os bancos deverão relatar de forma periódica como estão usando o dinheiro. E isso será verificado." Ele acrescentou, ainda, que esses bilhões de euros não estão disponíveis para apoiar bancos em dificuldades ou para financiar a compra de títulos da dívida de países – eles devem chegar às empresas ou ao consumidor.

Crítica alemã

Além disso, de acordo com Draghi, o BCE vai prover liquidez até o final de 2016 aos bancos. Depois de apresentar todo o conjunto de medidas, ele disse: "Nós pensamos que este é um pacote significativo. Fizemos tudo? A resposta é: não. Nós ainda não fizemos tudo. No âmbito do nosso mandato, em caso de emergência, ainda não fizemos tudo."

Críticas claras ao curso do BCE, porém, vêm da Alemanha. "Esta é uma tentativa desesperada de redirecionar os fluxos financeiros para os países do sul da Europa, usando para isso dinheiro ainda mais barato e cobrando por depósitos", afirma o economista Hans-Werner Sinn, presidente do instituto de pesquisa Ifo, sediado em Munique.

Ele avalia que o pacote não terá o efeito esperado. "Isso não vai funcionar, pois, nesses locais, a competitividade deveria antes ser melhorada por meio de reformas do mercado de trabalho. A fatura é paga agora por aqueles que investiram seu dinheiro a longo prazo, quer dizer, os que investiram na poupança e os que possuem seguros de vida", afirmou, numa referência aos baixos rendimentos dessas aplicações, uma consequência da política do BCE.

Draghi repudia as acusações. "É totalmente errado nos acusar de querer expropriar os poupadores", defendeu o presidente do BCE. Segundo ele, o objetivo seria exatamente o contrário. "Nosso pacote deve restaurar o crescimento e estimular a recuperação econômica." Quando isso for atingido, de acordo com Draghi, os juros voltarão a subir.

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