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Economia

BCE anuncia compra ilimitada de títulos de países europeus em crise

Instituição diz que apenas papéis de países que já recorreram ao pacote de resgate serão comprados no mercado financeiro. Objetivo é garantir estabilidade do euro. Para críticos, decisão contraria tratados da UE.

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou nesta quinta-feira (06/09) um segundo programa para compra de títulos públicos de países da zona do euro atingidos pela crise. A decisão não chegou a ser uma surpresa. Os mercados já vinham especulando há um bom tempo sobre tal medida, tanto que nos últimos dias as bolsas de valores vinham seguindo claramente uma tendência de alta.

O presidente do BCE, Mario Draghi, justificou a decisão, tomada após reunião do conselho do banco em Frankfurt, afirmando que a desconfiança no euro estaria prejudicando os efeitos da tradicional política monetária do BCE.

"Isso nos vai possibilitar a superação dos problemas no mercado de títulos públicos, causados pelo injustificado medo dos investidores de que o euro possa fracassar", disse Draghi em entrevista coletiva após o encontro. Ele falou ainda em "escudo efetivo" sobre a zona do euro contra as distúrbios do mercado.

Volume ilimitado

Mario Draghi

Draghi: medida deve funcionar como escudo na zona do euro

No início deste ano o BCE já havia comprado cerca de 200 bilhões em títulos públicos da dívida. Agora, nesta segunda edição do programa, não foi colocado limite para a compra dos papéis. O programa só será finalizado quando o objetivo for atingido, anunciou Draghi. "Deixem-me repetir o que eu já havia dito no mês passado: nós definimos que no nosso mandato iríamos garantir a estabilidade dos preços. Somos independentes em nossa política monetária. O euro é irreversível."

O critério mais importante para balizar a ação do BCE é que o país cujos títulos serão comprados já tenha solicitado ajuda por meio do pacote europeu. Isso é importante para assegurar que a intervenção esteja ligada a algumas condições, como um saneamento das finanças públicas ou programas conjunturais.

Com isso, um dos primeiros candidatos à se beneficiar com o programa poderia ser a Espanha. Mas o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, disse em coletiva de imprensa em Madri que ele não poderia afirmar se seu país precisaria da ajuda.

Uma voz contrária

Jens Weidmann

Jens Weidmann, presidente do Banco Central alemão, é contra decisão

A decisão do BCE, porém, não foi aprovada por unanimidade. "Não vamos dizer quem se colocou contrariamente. Vocês podem especular quem foi", disse o presidente do banco.

O presidente do Banco Central alemão, Jens Weidmann, no entanto, tinha acabado de manifestar sua resistência ao programa. Ele acredita que com a medida o BCE viola os tratados da União Europeia, os quais proíbem financiamentos públicos por meio da instituição financeira do bloco.

Mas Draghi passa a bola para o campo político, pedindo esforços para implementar reformas nos países-membros da zona do euro. "Para trazer de volta a confiança, os políticos precisam optar pela Europa e trabalhar para consolidar seus orçamentos, implementar reformas estruturais com vista à competitividade e construir instituições europeias", disse.

Reações diversas

As reações ao esperado anúncio do BCE foram as mais variadas, e passaram da anuência à completa rejeição. O economista Ansgar Belke, da Universidade de Duisburg-Essen, falou numa "mudança dos tempos". "É o fim da orientação em termos de estabilidade de preços em toda a zona do euro", disse ele, dizendo que agora a política se orienta pelo destino de alguns países, como por exemplo a Espanha. "Essa é uma mudança de princípios de uma política monetária uniforme para toda a zona do euro", disse Belke à DW.

O presidente da associação alemã das caixas de poupança, Georg Fahrenschon, chamou a compra de títulos públicos de "caminho errado". Já Gustav Horn, diretor do Instituto de Macroeconomia, em Düsseldorf, classificou a medida como o "único caminho" para que os países endividados voltem a se erguer.

Martin Blessing, presidente do banco alemão Commerzbank, considera o programa simplesmente uma quebra do regimento existente. "Não consigo imaginar como a confiança pode ser construída por meio da quebra de regras", disse Blessing.

Autor: Henrik Böhme (msb)
Revisão: Carlos Albuquerque

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