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Economia

BC: euro não causou aumento de preços

O euro está em circulação desde janeiro, mas os alemães ainda não se livraram da impressão de que tudo ficou mais caro com a nova moeda. O Banco Central alemão diz que outros fatores são responsáveis pelos aumentos.

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Milhões de consumidores alemães queixam-se dos aumentos de preço desde o começo do ano. Sua suspeita é que o comércio aproveitou a mudança do marco para o euro e aumentou os preços. Assim, o euro acabou ganhando o apelido de "teuro", trocadilho que tem por base a palavra alemã teuer (caro). A fim de esclarecer a questão, o Banco Central alemão encomendou um estudo, cujo resultado foi divulgado nesta segunda-feira. Ele comparou os preços de 35 produtos e serviços, levantando 18 mil preços.

Aumento de preços antecipado no fim do ano

"É certo que os preços ao consumidor aumentaram claramente em 2001 e perto do fim do ano. Tal aumento, porém, em grande parte não deve ser atribuído ao euro, mas sim a outros fatores", concluem os autores do estudo. Não obstante, eles também indicam que parte do comércio e da iniciativa privada planejou de longa data embutir aumentos de preços, na esperança de que o consumidor não percebesse. O euro entrou em circulação em 1º de janeiro deste ano, sob a forma de cédulas e moedas, embora já existisse como unidade contábil desde 1999.

No ano passado, os alemães pagaram mais pela energia, por impostos indiretos (o chamado imposto ecológico sobre a gasolina) e pelos efeitos das crises na pecuária (mal da vaca louca e febre aftosa). Esses fatores, aliados ao aumento do preço de frutas e verduras, por perda parcial da colheita nos países mediterrâneos, acabaram dando ao consumidor a impressão de que o euro foi o responsável pela carestia.

Os alimentos aumentaram, em média, 5,3% em dezembro, em relação a dezembro de 2000, o que saltou à vista de qualquer pessoa que fosse ao supermercado. Os produtos industrializados também subiram de preço e no tocante à prestação de serviços, o aumento foi de 2,8%.

Arredondamento criou margem de ação

Através dos "notórios acertos de preços" efetuados antes da mudança de moeda, produtores e comerciantes garantiram uma certa margem de ação, constatou o BC. Quando os alemães já estavam com as novas cédulas e moedas, o comércio mudou as importâncias "quebradas" em euro, reduzindo-as a preços considerados atraentes, do tipo 1,49 ou 1,99.

Em janeiro, constatou-se que dois terços dos 18 mil preços comparados haviam sido transformados em euro com base na cotação oficial de 1,95583 marco = um euro. O restante foi "arredondado". Em alguns casos, a intenção era obter diretamente preços "atraentes" em euro.

Noutros, os comerciantes de fato aproveitaram a transição de moeda para elevar seus preços. Mais da metade dos ajustes foi para cima, isto é, para um peço mais alto do que anteriormente em marco. Aumentos notórios deste tipo houve em restaurantes e lanchonetes, nos cabelereiros e em oficinas mecânicas. Também subiram os preços de consertos de eletrodomésticos e entradas de cinema.

Em suma, alguns se aproveitaram da mudança, mas o BC permanece firme em sua conclusão de que o euro não é um teuro. E chama a atenção para o fato de que, por comodidade, a maioria das pessoas usou em seus cálculos a fórmula "um euro = dois marcos". Ela não é exata e faz com que os preços em euro pareçam 2,25% mais caros do que realmente são.