Barroso, de maoista a presidente da Comissão Europeia | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 16.09.2009
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Mundo

Barroso, de maoista a presidente da Comissão Europeia

De engajado extremista de esquerda a liberal-conservador, Barroso renunciou ao governo português para presidir Comissão Europeia.

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José Manuel Barroso

José Manuel Durão Barroso nasceu em Lisboa em 23 de março de 1956 e, em relação à política, é considerado "frio, calculista, formal e racional". Ele mesmo se considera um "reformista de centro".

É filiado ao Partido Social-Democrata (PSD) de Portugal e no Parlamento Europeu integra o conservador Partido Popular Europeu. Após formar-se em Direito em Lisboa, Durão Barroso cursou Estudos Europeus e fez mestrado em Ciências Políticas na Universidade de Genebra.

Ainda antes da Revolução dos Cravos, que em 1974 derrubou a ditadura em Portugal, Barroso integrava o partido maoista Movimento Revolucionário do Proletariado Português, onde se destacou com discursos inflamados e radicais.

Belgien EU Gipfel Jose Manuel Barroso in Brüssel

Eleição em 2004 foi fruto de impasse

"Aprendi tantas coisas e hoje faria tanta coisa diferente que demoraria demais falar sobre isso", disse certa vez, ao comentar sua experiência política.

A primeira eleição de Barroso à presidência da Comissão Europeia, em 2004, resultou de um impasse envolvendo o liberal belga Guy Verhofstadt e o conservador britânico Chris Patten: nenhum dos dois conseguiu a maioria absoluta no Parlamento Europeu.

Em junho último, foi nomeado por unanimidade pelos chefes de Estado e de governo da União Europeia para mais um mandato. A nomeação foi aprovada pelo Parlamento Europeu em 16 de setembro de 2009.

Fraqueza é o ponto forte

Sua carreira como político começou em 1980, quando se filiou ao PSD. Em 1995, foi ministro das Relações Exteriores de Portugal e, em 2002, se elegeu primeiro-ministro. Dois anos depois renunciaria ao governo português para presidir a Comissão Europeia.

"Barroso é tão fraco que será recompensado com um segundo mandato", profetizou o ex-ministro alemão do Exterior, Joschka Fischer, em 2008. A fraqueza do conservador português é ao mesmo tempo seu ponto forte: os chefes de Estado e de governo da União Europeia veem com desconfiança os poderes do presidente da Comissão Europeia, órgão capaz de impor – entre outras coisas – multas milionárias contra conglomerados como a Microsoft.

Por isso, é bem recebida sua filosofia de tentar contentar a todos. Assim foi, por exemplo, quando atenuou as prescrições ecológicas contra os fabricantes alemães de veículos ou quando derrubou as regulamentações contra o excesso de sal em pães e bretzeln. "Quando um problema envolve a Alemanha, ele liga imediatamente para Berlim", disse um membro da comissão.

"Camaleão" amigo de Merkel

Merkel empfängt Barroso

Chanceler federal alemã, Angela Merkel, com Barroso

A capacidade de adaptação de Barroso não remonta apenas aos tempos de estudante, quando participou de uma associação marxista-leninista, para depois virar membro do liberal conservativo PSD.

Quanto às relações com os EUA, ele demonstrou a mesma flexibilidade. Em 2003, no encontro de cúpula nos Açores, assegurou lealdade ao então presidente George W. Bush quanto ao planejado ataque contra o Iraque. Hoje, Barroso propaga um "new deal" com Barack Obama.

Atitudes como essa fizeram com que Barroso recebesse o apelido de "camaleão" do líder dos verdes no Parlamento Europeu, Daniel Cohn-Bendit.

A seu favor, conta a fluência nos idiomas inglês e francês. Durante a presidência alemã da UE, há dois anos, Barroso chegou até a aprender algumas palavras em alemão, para conversar com sua "boa amiga" Angela Merkel.

RW/afp/lusa/dpa

Revisão: Simone Lopes

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