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Cultura

Barenboim quer praticar "antipolítica" em academia árabe-israelense de Berlim

Após sucesso de sua West-Eastern Divan Orchestra, o regente de origem judaica nascido na Argentina parte para criação de academia em Berlim, que reúne música, ciências humanas e política internacional.

O regente e pianista argentino-israelense Daniel Barenboim, que em 2012 completa 70 anos de idade, é cofundador de uma instituição de ensino ímpar, em Berlim: a Academia Barenboim-Said. Seu abrangente currículo engloba não apenas educação musical, como também ciências humanas e relações internacionais. O segundo nome no título da academia remete ao intelectual palestino Edward Said (1935-2003) que, juntamente com o maestro, fundou uma orquestra jovem, a West-Eastern Divan.

No antigo depósito de cenários da casa de ópera Staatsoper Unter den Linden, serão construídas salas de aula e estudo para os bolsistas, vindos de Israel e dos países árabes. O Parlamento alemão já liberou 20 milhões de euros para a academia. Os outros 8 milhões de euros provêm de doações particulares.

O arquiteto Frank Gehry e o engenheiro acústico Yasuhisa Toyota estão criando para a instituição, sem receberem quaisquer honorários para tal, a Sala Pierre Boulez, com 800 lugares. Nela, tanto a West-Eastern Divan Orchestra quanto a Staatskapelle Berlin farão concertos de música contemporânea.

Deutsche Welle: Daniel Barenboim, desde criança o senhor queria viver na música e com a música. Mas, como o senhor sempre diz, "entre querer e poder, o caminho pode ser bem longo". Como pretende ajudar os bolsistas de Israel e do mundo árabe nesse árduo caminho?

Daniel Barenboim: Eu gostaria de lhes ensinar, claro, que a alta qualidade técnica ao tocar música é absolutamente indispensável. Mas a coisa vai bem mais adiante. Quer dizer: música não é profissão. Música é, como se diz em inglês, a way of life, uma atitude de vida, para a qual é necessário grande profissionalismo.

Quando os jovens estudantes iam procurar Franz Liszt em Weimar, o compositor e pianista tinha esperanças de que eles se tornassem pessoas melhores, através do estudo. Isso não é mera retórica do século 19, mas sim um fato: temos que tirar a música da torre de marfim, tanto para os músicos quanto para o público. Senão a música erudita não sobreviverá ao século 21. Infelizmente, a música não faz mais parte de nossa cultura. Por isso, as crianças devem ter algum contato com a música e aprendê-la, assim como aprendem literatura, geografia e biologia.

Quando falamos de música, estamos falando de nossa reação a ela. Uma pessoa diz: "Ah, a música é tão poética!". A outra fala: "Não, ela é pura matemática!"; uma terceira diz: "Não, ela é sensual", e assim por diante. Tudo isso procede. Mas a música não é uma dessas coisas, ela é tudo isso ao mesmo tempo. E cada um de nós encontra nela o que procura.

O compositor italiano Ferruccio Busoni forneceu a melhor definição: "Música é ar que soa". Isso diz tudo – e não diz nada. Mas significa que devemos ensinar aos jovens esse aspecto intelectual, pensante, espiritual da música.

Sua academia tem uma orientação política bem definida. Como funciona isso para o senhor, exatamente?

Não é política, é antipolítica! Política seria dizer: eu tomo partido por um ou por outro. Eu digo: não estamos em negociações políticas. Agora temos que tentar entender e reconhecer o outro.

E o senhor envia uma mensagem política ao Oriente Médio, a partir da capital alemã?

Sim, é claro que fico muito grato ao governo alemão pelo auxílio financeiro. Pois com isso ele está dizendo: "Aqui há uma situação difícil. E todos nós precisamos ajudar nesse conflito, e não agir uns contra os outros". Admiro muito a forma como consecutivas gerações de alemães se confrontaram com o passado. Não fosse isso eu não poderia viver aqui, sendo judeu. Mas agora também precisamos pensar sobre o presente e o futuro. E, do meu ponto de vista, talvez a Alemanha até tenha uma responsabilidade a mais nesse aspecto.

A Academia Barenboim-Said pretende, no espaço de cinco anos, ter formado em Berlim até 80 estudantes do mundo árabe e de Israel, tendo como base um projeto seu, a West-Eastern Divan Orchestra. Quais são seus desejos para o futuro desta orquestra?

A dimensão total da Divan só se revelará quando ela tiver tocado em todos os países representados dentro dela. Ou seja, quando fizermos uma turnê por Istambul, Beirute, Damasco, Tel Aviv, Amã, Jerusalém, Ramallah e o Cairo. Aí, a orquestra terá alcançado, digamos, sua dimensão total.

Entrevista: Peter Zimmermann (av)
Revisão: Soraia Vilela

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