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Ciência e Saúde

Barbie interativa gera polêmica por invasão de privacidade

Microfone na boneca capta o que interlocutor diz, e dados são enviados via WLAN para a nuvem, onde resposta é escolhida entre 8 mil frases. Lançamento fomenta debate sobre privacidade das crianças e proteção de dados.

Bem a tempo do Natal, chega às lojas dos Estados Unidos a "Hello Barbie", uma versão interativa da boneca mais famosa do mundo, equipada com microfone e interface WLAN.

Comercializada por US$ 75 (cerca de R$ 284), a Barbie pretende reconquistar espaço de mercado na gigante de brinquedos Mattel. Ultimamente, a boneca foi ultrapassada pela Rainha Elsa e pela Princesa Anna, da animação Frozen.

Uma Barbie interativa, com a qual é possível se relacionar, é um sonho para muitas crianças. Para outras pessoas, no entanto, significa uma invasão ao espaço delas.

Desde que a Mattel apresentou a "Hello Barbie", há seis meses, na Feira de Brinquedos de Nova York, as críticas de pais preocupados ​​e defensores da privacidade não param. Foi criada até uma petição online contra a "Barbie-escuta" e o abuso da privacidade infantil.

O brinquedo funciona de maneira semelhante ao reconhecimento de voz em muitos smartphones: um microfone no pescoço da boneca capta tudo que o interlocutor da Barbie diz. Os dados são enviados via WLAN para a nuvem, onde a resposta certa é selecionada entre cerca de 8 mil frases de diálogo. Os novos estímulos recebidos são armazenados "na mente" da boneca para futuras respostas.

Mas o que acontece com os dados gravados? Segundo a Mattel, eles não são armazenados para fins promocionais, mas apenas para melhorar a experiência de diálogo, e são excluídos do servidor após dois anos. Além disso, os pais devem dar o seu consentimento no início.

"Hell No Barbie"

Assim como em outros dispositivos eletrônicos com comando de voz, que captam o ruído ambiente para não deixar escapar palavras-chaves, a "Hello Barbie" deixa algumas pessoas desconfiadas. A organização alemã de proteção de dados "Digitalcourage" concedeu à boneca o seu "Prêmio Big Brother".

Nos EUA, os advogados da "Campanha para uma Infância Livre de Comerciais" (CCFC, na sigla em inglês) lançaram uma campanha nas redes sociais sob o slogan "Hell No Barbie" (algo como "Barbie nem pensar").

Dezenas de milhares de pessoas já se inscreveram para o lançamento da Barbie, mas Josh Golin, presidente da CCFC, teme que os dados pessoais dos usuários sejam compartilhados e usados para fins de marketing. "Há toda uma série de preocupações sobre privacidade e segurança", disse ele em uma entrevista de TV.

As crianças podem, por exemplo, confiar a seus brinquedos segredos e assuntos muito particulares que não dizem respeito a ninguém. Há o risco ainda de os pais acabarem invadindo a privacidade dos filhos. Isso porque uma vez por semana, eles devem receber os áudios da "Hello Barbie" — por questões de segurança, justifica a empresa.

A start-up Talk Toy, de São Francisco, desenvolveu o assistente linguístico e elaborou, em conjunto com a Mattel, as respostas com um vocabulário sobre o universo infantil e da Barbie. Em um dos testes, a conversa é sobre as aspirações profissionais. A Barbie diz: "Ei, você me disse que você gosta de estar no palco. Talvez você vire dançarina? Ou uma política? Ou uma dançarina política? Ei, você pode ser o que quiser".

A "Hello Barbie" não deve passar no Teste de Turing – criado para distinguir o homem de um software a partir de um diálogo. Mas as crianças reagem de forma diferente dos adultos, alertam os médicos. "Algoritmos de computador não podem nem devem substituir a responsividade das pessoas", diz Dipesh Navsaria, da CCFC e pediatra da Universidade de Wisconsin.

AF/dpa

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