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Cultura

Barbatuques traduzem música brasileira para alemães com percussão corporal

Grupo paulistano foi uma das grandes atrações da abertura da programação paralela da Feira do Livro de Frankfurt, no ano em que o Brasil é o país homenageado.

A passagem dos Barbatuques pela cidade de Frankfurt no domingo (25/08) veio confirmar a fama do Brasil como país de forte tradição nas artes da percussão. Os nove integrantes do grupo não se deixaram intimidar pela chuva e presentearam a plateia, que não arredou pé do concerto ao ar livre, com um show que fascinou pela peculiaridade dos genêros musicais brasileiros apresentados – da embolada ao samba-de-roda, do baião ao afoxé – e principalmente pela capacidade dos músicos de extrair sons batucando no próprio corpo e brincando com recursos vocais, estabelecendo uma conexão com o público por uma via independente do idioma.

O repertório escolhido pela trupe se baseou majoritariamente nos dois primeiros CDs lançados por eles desde a criação do grupo por Fernando Barba, em 1996: o Corpo do Som, de 2000 e O Seguinte é Esse, que saiu cinco anos depois. Além dos dois trabalhos, os Barbatuques têm também o disco Tum Pá, voltado para as crianças, lançado ano passado, e o DVD Corpo do Som ao Vivo, de 2007.

A voz do corpo

A força do espetáculo dos Barbatuques vem dos folguedos populares brasileiros, que são apresentados em linguagem contemporânea, incorporando elementos do rap, do reggae e da afro-beat.

No tema Baianá, por exemplo, apresentado em Frankfurt, eles realizaram uma adaptação do tema "Boa Tarde Povo", de Maria do Carmo Barbosa e Melo. "O Barba costuma trazer uma questão de repertório e as pessoas do grupo também vão reunindo coisas", afirmou João Simão, um dos integrantes. No caso de Baianá, o músico Marcelo Pretto sugeriu que eles incorporassem um "berimbau de boca", além de outros versos de coco e embolada.

Pretto foi a figura de maior destaque no espetáculo de domingo. Dono de timbres graves profundos e incomuns, ele explora sua vocação cômica e sua teatralidade com desenvoltura tanto na embolada de Manezinho Araújo, Pra Onde Vai Valente, como no tema Onça, de Juca do Bolo.

As três cantoras dos Barbatuques – Helô Ribeiro, Luciana Cestari e Dani Zulu – completam o espetáculo com harmonia de suas coreografias e jogos vocais surpreendentes.

Concerto fez parte também da festa de rua Museumsuferfest, em que museus da cidade têm entrada gratuita

Concerto fez parte também da festa de rua "Museumsuferfest", em que museus da cidade têm entrada gratuita

Influências

No encarte do DVD dos Barbatuques, os preceitos do grupo são descritos com clareza: "Todo indivíduo tem um corpo sonoro e um imaginário musical próprio. A expressão do som que sai de cada corpo humano é talvez a forma mais antiga de se fazer música e de gerar comunicação em diferentes culturas".

João Simão afirma que "Hermeto Pascoal é uma influência muito forte no nosso trabalho, assim como o professor José Eduardo Gramani, que influenciou bastante a graduação de Fernando Barba, além de Naná Vasconcelos e também Bobby McFerrin", músicos que sempre experimentaram os alcances da percussão corporal e vocal.

O criador dos Barbatuques, Fernando Barba, já não participa tanto das apresentações do coletivo. "Ele agora está muito empenhado na divulgação dos trabalhos pedagógicos dos Barbatuques, de ensinar percussão corporal, oferecendo cursos de formação continuada nas nossas oficinas em São Paulo, quando não vai para São Francisco, nos EUA, participar de uma oficina no Festival Internacional de Música Corporal que acontece lá", conta Simão.

Os convites para apresentações no exterior têm surgido com frequência: "Os Barbatuques vêm tocando fora do Brasil desde 2003, quando fomos ao Midem (Feira de Música na França). Desde então, saímos em média dois meses ao ano, de forma espaçada. Fomos à Espanha, Áustria, Suíça, Líbano, China, Estados Unidos, Senegal, África do Sul, Colômbia e Peru", enumera André Hosoi, que também brilhou no concerto em Frankfurt, ao lado de Renato Epstein, Mauricio Maas e Gilberto Alves.

Marcelo Pretto sabe da importância de transpor as fronteiras continentais do Brasil para mostrar a diversidade do país: "O desafio, me parece, é transcender o clichê. É ir além do Michel Teló, da bossa-nova embalada eletronicamente, dessa falsa e superficial equação mulata-futebol-carnaval de 365 dias por ano", dispara o artista.

Programação de qualidade

O Palco Brasil reuniu em três dias de shows, nomes como Lenine e a The Martin Fondse Orchestra (Holanda), bem como Criolo, Barbatuques, além de brasileiros radicados na Alemanha como Ivan Santos – premiado parceiro de Lenine, ganhador com ele em 2005 de um Grammy pela canção Ninguém Faz Ideia – Bê Ignacio, Juliana da Silva e Monica Besser.

A Funarte, vinculada ao Ministério da Cultura, arcou com os cachês dos artistas brasileiros convidados a se apresentar na Alemanha. "Achei muito bacana e eclética a seleção de artistas. Há grandes consagrados como Lenine, o contemporâneo Criolo e a música orgânica dos Barbatuques", opinou André Hosoi, que ressaltou o nível dos artistas que ainda se apresentarão nas próximas semanas: Guinga e Quinteto Villa-Lobos, Lucas Santtana, Jards Macalé, Jorge Mautner, Zélia Duncan – cantando o repertório de Itamar Assumpção –, Junio Barreto, Virgínia Rodrigues e Fabiana Cozza.