Barítono alemão Dietrich Fischer-Dieskau completa 85 anos | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 28.05.2010
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Cultura

Barítono alemão Dietrich Fischer-Dieskau completa 85 anos

Regente, pintor e escritor, Dietrich Fischer-Dieskau se tornou internacionalmente conhecido como cantor lírico. Considerado um dos maiores intérpretes de "lieder", o artista berlinense faz 85 anos neste dia 28.

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Fischer-Dieskau promoveu a redescoberta dos "lieder"

A voz dele foi para muita gente uma introdução ao mundo do lied alemão (arranjo musical para piano e cantor solo). Este gênero artístico intimista e pouco espetacular quase caía no esquecimento, quando foi praticamente redescoberto por Dietrich Fischer-Dieskau.

Pausa para bombardeio

Sua primeira apresentação pública em Berlim aconteceu em plena Segunda Guerra Mundial. "Não me lembro como o concerto foi organizado. Mas, de qualquer forma, ele teve que ser interrompido por causa de um alarme antiaéreo e um pesado bombardeio. Na pausa, fomos para o porão, voltando depois de cerca de duas horas e meia para prosseguir com (o ciclo de 24 canções) Winterreise (viagem de inverno)", recorda.

Komponist Franz Schubert

Schubert: uma das preferências do barítono

Sua convocação para a guerra, em 1943, depois dos exames de admissão para o ensino superior, fez interromper o sonho de uma carreira artística. Entretanto, a paixão pela música o ajudou a sobreviver à dura vida no front. "Suportar as marchas noturnas de 40 quilômetros com um capacete de aço na cabeça, um pesado cinto de munições no corpo e uma metralhadora sobre o ombro, era quase impossível. Minha saída era ficar executando certas sinfonias na cabeça e pensar que aquela música era algo que me mantinha vivo."

Com o fim da guerra, a consagração

Em 1951, Fischer-Dieskau, com sua voz potente e inconfundível, já era considerado um dos melhores cantores de lied do mundo. Desde o início de sua carreira, suas interpretações e concertos sempre foram marcados pela poesia.

Ele não concorda com a opinião vigente de que um recital só começa a ganhar profundidade e expressão com o decorrer da idade. "Essa era uma opinião muito em voga no passado, mas que não faz o menor sentido. Afinal, a Winterreise foi composta por um jovem e, por isso, podemos concluir que não tem necessariamente de ser cantada por uma voz madura", conclui o artista.

Fischer-Dieskau sentia-se em casa sobretudo na Ópera Alemã de Berlim e na Ópera Estatal da Baviera. Além disso, o barítono atuou como convidado em quase todos os grandes palcos e festivais internacionais de renome.

Sua estreia aconteceu em 1951, no Festival de Salzburg, onde interpretou Lieder eines fahrenden Gesellen ( Canções de um Viajante Errante), de Gustav Mahler, sob a regência de Wilhelm Furtwängler. Um ano depois, estreava no Festival de Bayreuth como Wolfram na ópera Tannhäuser, de Richard Wagner. Outras estações memoráveis em sua carreira foram suas apresentações no Carnegie Hall de Nova Iorque e na Ópera Estatal de Viena.

Trabalhador nas vinhas do Senhor

Deutschland Geschichte Musik Komponist Wilhelm Furtwängler

Furtwängler regeu a estreia do cantor em grandes festivais

Apesar da fama, ele sempre preferiu a discrição, vendo-se como um intéprete para quem a música e o compositor são o que mais importa. Seu enorme repertório inclui cerca de três mil lieder.

Ele também atuou em óperas e interpretou papéis líricos como o Marquês de Posa em Don Carlos, de Verdi, passando por personagens astutos de Mozart, como o conde Almaviva, de As bodas de Fígaro, e outros papéis mais dramáticos, como o doutor Fausto, de Busoni, ou Wozzeck, de Berg, ou ainda o Lear, de Reimann.

Em 1993, Dietrich Fischer-Dieskau encerrou sua carreira de cantor, continuando a se dedicar mais intensamente a outras tarefas artísticas, como reger, pintar e escrever livros, assim como dar aulas para jovens cantores em Berlim.

Mais tarde, passou a ministrar cada vez menos aulas, limitando suas atividades a workshops especiais, embora ainda se dedique a projetos de livros: "Quero voltar a escrever algo sobre o lied. Não algo histórico, mas sim sobre a vida dos grandes compositores de lied, que não são muitos. Quero escrever em uma linguaguem que não seja científica, mas que possa ser facilmente lida", diz o cantor. "Talvez a gente possa, assim, fazer algo em prol da canção, embora eu seja um pouco cético neste sentido“, ressalva.

Autora: Kirsten Liese (md)
Revisão: Soraia Vilela

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