1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Banheiros europeus são mistério para refugiados

Entre os vários desafios impostos pela crise migratória, um chama a atenção pelo inusitado: muitos recém-chegados jamais viram um vaso sanitário ocidental e não sabem como usá-lo.

default

Banheiro químico em abrigo para refugiados em Dresden

A chegada de mais de um milhão de refugiados à Alemanha no ano passado levou o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, a dizer que a sociedade alemã estaria vivendo um rendezvous com a globalização.

É, de fato, um encontro entre diferentes culturas. E, na pressa de providenciar casa, roupa, comida, assistência de saúde e treinamento linguístico aos recém-chegados, ninguém parece ter se lembrado de explicar a eles como funcionam os toaletes do Ocidente.

Flüchtlinge Österreich Toiletten Benutzungshinweis

Cartaz em banheiro na Áustria explica a migrantes como utilizar o vaso sanitário ocidental

O tema foi levantado pela primeira vez em outubro, pelo prefeito de Hardheim, uma pequena cidade no estado de Baden-Württemberg. Na época, ele foi ridicularizado por defender ser necessário alertar os refugiados de que, na Europa, não é normal se aliviar em parques, jardins e atrás de arbustos.

A situação muitas vezes tensa em abrigos, tendas e ginásios, não raro lotados, é piorada ainda mais pelos diferentes hábitos de higiene e tipos de toaletes. No mundo muçulmano, é comum que o vaso sanitário seja embutido no chão – algo que, no Brasil, é conhecido como "banheiro turco".

Intrigados com as privadas ocidentais, muitos refugiados acabaram se aliviando nas bordas da latrina ou no chão. Outros recorreram aos ralos dos chuveiros quando a natureza chamou, deixando um rastro de excremento humano nos banheiros.

Diferentes padrões de higiene

O alemão Manfred Nowak, da organização de assistência social AWO, ressalva que esse não é o mais urgente dos problemas, mas diz que ele de fato existe – como verificado entre os 4 mil refugiados nas seis instalações em Berlim pelas quais ele é responsável. Porém, destaca, o estranhamento depende muito da origem do imigrante.

Pressebild Firma Global Fliegenschmidt - Toilette

A "privada multicultural criada por uma empresa alemã: encomenda de abrigos de refugiados

Muitos refugiados jamais viram papel higiênico em suas vidas. E, mesmos entre os que viram, limpar-se sem água é visto como algo extremamente anti-higiênico. Já as privadas ocidentais com descarga continuam sendo um mistério para muitos deles – apesar dos desenhos explicativos colados nos banheiros.

Em países muçulmanos, usa-se normalmente água para se lavar. O site myreligionislam.com lista 20 regras "para quando a natureza chamar". Uma delas recomenda o uso dos dedos para se limpar e, se "sobrar alguma coisa", utilizar água. Limpar partes íntimas com "pedras e materiais similares" é visto como um substituto "aceitável" para a água.

Outras regras proíbem falar, cantar, fumar e ler jornal na privada. As pessoas também têm que, segundo o site, entrar com o pé esquerdo no banheiro e sair com o direito.

Uma solução para o problema, porém, parece estar a caminho: especialistas da Global Fliegenschmidt, uma fábrica alemã especializada em instalações sanitárias portáteis, criaram uma "privada multicultural". Ela já está no mercado há alguns dias e foi encomendada por vários abrigos de refugiados.

Leia mais