Banda Rotfront reflete o ″som da emigração″ | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 27.09.2009
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Cultura

Banda Rotfront reflete o "som da emigração"

O disco "Emigrantski Raggamuffin" é o primeiro da banda de formação multiétnica Rotfront, que se formou em Berlim, mas faz um som difícil de ser rotulado tanto geográfica quanto musicalmente.

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Capa do disco de estreia

A banda Rotfront é uma formação multicultural por excelência, criada em Berlim por músicos que se conheceram há cinco anos no contexto da Russendisko, club organizado pelo escritor e promoter cultural Wladimir Kaminer. Por mais que não faça, ele próprio, parte da banda, Kaminer, figura popular na capital alemã, marca sua presença no disco Emigrantski Raggamuffin.

Wladimir Kaminer Kombo

O autor e promoter Wladimir Kaminer

O álbum abre com sua voz citando o trecho de um guia de viagem, que recomenda a cada turista hastear sua bandeira pessoal no alto do Reichstag e conquistar a cidade à sua maneira. Algo que ele próprio, Kaminer, já fez, afinal, sua Russendisko e seus livros conquistaram há muito Berlim, sendo conhecidos praticamente em toda a Alemanha.

Mas no Rotfront não é ele quem dá as ordens, mas Yuriy Gurzhy e Simon Wahorn, os dois únicos membros pertencentes à formação original da banda e que permanecem até hoje. Os outros, lembra Gurzhy, não foram derrubados pela vodka, mas simplesmente seguiram outros rumos.

Ao lado de Kaminer, Gurzhy é a outra metade por trás da noite Russendisko, enquanto Wahorn é o criador da noite HungaroGroovers Soundsystem.

Geograficamente deslocados

O Rotfront se reúne em um pequeno escritório situado no bairro Prenzlauer Berg, em Berlim. De lá, são coordenadas as atividades da banda. A participação de músicos de diversos cantos do mundo é uma constante no som do grupo, que não é fácil de ser rotulado, embora o ska e o reggae se destaquem. Yuriy Gurzhy vem da Ucrânia e Simon Wahorn da Hungria. O restante da banda varia muito e, com isso, também as influências do grupo.

Band Rotfront

A banda Rotfront

As letras das canções refletem esse caráter multiétnico, já que cada membro traz um pouco de sua própria origem e experiência. Para se comunicar, a língua franca é o alemão. Mas nada é planejado neste coletivo, garante Gurzhy. Pelo contrário, a espontaneidade e a descontração parecem ser os elementos propulsores do Rotfront, que não hesita em intercalar versões reggae do folclore do Leste Europeu com covers de músicas pop alemãs da atualidade.

Emigrar é um estilo de vida

A sociedade multicultural em si não é abordada diretamente na música do grupo, embora as condições em que imigrantes vivem na Alemanha se reflitam nas letras através de temas como saudade de casa ou dores de amor, entre outros. "Vendo por um lado positivo, viemos de países onde não vivemos mais e nos sentimos em casa aqui na Alemanha, ou seja, temos duas pátrias. Em momentos de depressão, a gente pensa que não tem mais casa, pois deixamos nosso país e não chegamos a lugar nenhum", explica Gurzhy.

Para o guitarrista e cantor Simon Wahorn, ser um emigrante voluntário é algo que vai além de simples aventura e curiosidade. Segundo ele, esse é um verdadeiro estilo de vida, que se torna cada vez mais frequente. Para quem duvida, cada CD do Rotfront traz um passaporte no encarte, que concede a quem ouve a cidadania da República Emigrantski.

Autor: Luigi Lauer (rr)

Revisão: Soraia Vilela

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