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Economia

Bancos europeus temem uma quebra do Brasil

Círculos financeiros europeus estão cada vez mais alarmados com a dívida brasileira e a possibilidade de o país quebrar. Os créditos dos bancos europeus aos países da América Latina somam US$ 311 bilhões.

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Arminio Fraga e Pedro Malan tentam renovar créditos nos EUA

"É muito provável que o Brasil não consiga impedir o default [o não pagamento da dívida]", afirma abertamente Walter Molano, do banco de investimentos americano BCP Securities. Esta é também a opinião de muitos economistas, que não ousam entretanto expressá-la em público, escreve nesta segunda-feira (26/8) o diário alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), um dos jornais mais respeitados pelo setor financeiro.

A possibilidade de uma quebra não depende de quem ganhar as eleições presidenciais, afirmam os analistas. É o resultado de uma série de fatores econômicos: a perspectiva de crescimento da economia brasileira, o grau de endividamento, os altos juros, a desvalorização do real e o pagamento dos juros da dívida. Tudo isso exige que a economia produza um forte superavit orçamentário.

O crédito de US$ 30 bilhões concedido pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) ao Brasil, no início de agosto, servirá para aliviar os próximos seis meses. Mas no decorrer de 2003 a quebra é inevitável, garante Walter Molano.

Bancos não querem mais colaborar

O ministro brasileiro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, estão tentando nesta segunda-feira (26/8) junto aos grandes bancos internacionais, em Nova York, prorrogar as linhas de créditos.

David Sekiguchi, do banco alemão Deutschen Bank, estima que a reunião pode trazer sinais positivos, mas que é muito provável que os bancos não cumpram suas promessas. Ao contrário do final da década de 90, não há dessa vez nenhuma pressão, nem do governo americano e nem do FMI, para salvar os países em crise.

Efeitos sobre a economia mundial

Os efeitos de uma possível quebra do Brasil sobre a economia mundial seriam muito mais pesados que o da quebra da Argentina. Os investimentos diretos dos norte-americanos e europeus são muitos mais elevados que na Argentina. "Se o Brasil sucumbir, isto traria muitos problemas para alguns bancos estrangeiros", estima Sekiguchi. E, além disso, pressionaria as demais economias da América Latina.

México e Estados Unidos

Dos países latino-americanos, talvez só o México poderia se salvar, pois sua economia está muito mais vinculada à América do Norte que à América do Sul. Mas se o México for contagiado, a crise se alastraria então aos países industrializados.

Os Estados Unidos têm 22% do seu comércio exterior com a América Latina (7,5% sem incluir o México). Quase 20% dos investimentos diretos e 18,3% dos créditos bancários norte-americanos estão no sul do continente.

Europa e Espanha

Os bancos europeus, proporcionalmente ao PIB, estão ainda mais comprometidos com a América Latina que os bancos norte-americanos. Os créditos europeus à América Latina somam US$ 311 bilhões de dólares e representam 5,1% de todos os créditos ao exterior.

A Espanha seria o país europeu mais duramente afetado. Os créditos dos bancos espanhóis à América Latina e Caribe atingiram 167 bilhões de dólares, em março de 2002. As empresas espanholas investiram mais de 62 bilhões de euros na América Latina.

O comércio com a América Latina representa 6,6% do comércio Exterior da União Européia. Uma possível quebra do Brasil e suas conseqüências para o México e a Espanha, afetaria portanto duas das economias mais dinâmicas de suas respectivas regiões, conclui o Frankfurter Allgemeine Zeitung.

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