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Economia

Bancos deram fraude bilionária no fisco alemão, afirma jornal

Institutos financeiros nacionais e internacionais se aproveitavam de lacuna na lei, afirma imprensa. Promotoria pública investiga. Político verde critica procedimento dos bancos.

Diversos bancos alemães e estrangeiros fraudaram durante anos o fisco alemão, embolsando impostos bilionários em negócios duvidosos com ações. Segundo noticiou o jornal Süddeutsche Zeitung, documentos internos comprometem seriamente os institutos financeiros, e a promotoria pública está investigando vários casos.

O diário teve acesso a comunicados internos do banco privado suíço Safra Sarasin e do alemão HypoVereinsbank (HVB), os quais revelam que, aproveitando uma lacuna na lei, entre 2005 e 2008 o HVB e seus clientes receberam do Estado alemão a devolução de impostos sobre capital que nunca haviam sido pagos.

Na prática, os bancos recebiam a mesma restituição duas vezes. De acordo com o Süddeutsche Zeitung, essa manobra denominada dividend stripping não é mais possível desde que a lacuna legal foi fechada, em 2012.

O Safra Sarasin negou qualquer participação nos negócios ilícitos com dividendos. "Em nenhum momento o banco enganou o fisco alemão ou se enriqueceu através dele." Quanto ao fundo de investimentos denunciado pelo jornal, tratar-se-ia de "um entre vários fundos semelhantes, considerados legítimos pelo direito fiscal alemão."

Em entrevista à emissora NDR, o porta-voz para assuntos financeiros do Partido Verde, Gerhard Schick, comentou que o caso revela muito sobre o modo de operar dos bancos. "Ele mostra que, pelo menos durante muitos anos, em muitos bancos, realizaram-se, com grande disposição, negócios que prejudicam nossa sociedade – e, ao que tudo indica, sem a consciência de que estavam agindo ilegalmente", ironizou.

AV/afp/rtr