1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

Banco de dados das "infâncias alemãs"

Artista neozelandesa vai em busca de registros de uma "infância tipicamente alemã". Os depoimentos colhidos em várias cidades do país formam um banco de dados acessível online.

default

Joanne Moar em ação nas ruas

Vivendo há dez anos na Alemanha, a artista plástica Joanne Moar se sentia incomodada ao ouvir de amigos referências a filmes ou canções infantis dos quais ela nunca tinha ouvido nem de longe falar. Foi daí que surgiu a idéia de criar um banco de dados das "infâncias" passadas no país. Não importando que os depoimentos venham de alemães ou de filhos de migrantes.

Notebook, mesa e cadeira

"Quero saber como meus amigos cresceram e descobrir o que é uma típica infância alemã, o que significa infância para os alemães e a que se associa esta palavra", explica Moar. Para isso, a artista sai pelas ruas de várias cidades de posse de seu notebook, uma mesinha dobrável de madeira, duas cadeiras e um guarda-sol vermelho. E faz perguntas aos passantes sobre suas lembranças da infância.

Becoming German

Projeto 'Becoming German', de Joanne Moar, em galeria de Iserlohn

Até agora, conta Moar, as pessoas têm se mostrado dispostas a puxar o fio da memória. "É necessário fornecer alguns dados pessoais, mas não muitos. O ano de nascimento é importante. Também a região do país onde se viveu, a estrutura da família, o número de irmãos. Com base nessas informações é criado um banco de dados", diz a artista.

Arte conceitual com acesso online

A partir de conversas com pessoas escolhidas aleatoriamente no meio da rua, Moar sistematiza e ordena as respostas que colhe. Na cidade de Iserlohn, o projeto, intitulado Becoming German, chegou a ser exposto numa galeria de arte, onde os registros foram mostrados nas telas de notebooks, colocados sobre mesinhas escolares antigas.

Becoming German

Projeto 'Becoming German', de Joanne Moar

Na parede ao lado, a artista marcou num mapa da Alemanha os próximos lugares que pretende visitar. "As pessoas contam de seus livros infantis preferidos ou das canções que mais gostavam. Esse é quase sempre o começo e é admirável como, a partir daí, as pessoas começam a contar detalhes íntimos de suas vidas", observa a artista.

Álbum coletivo de fotografias

O banco de dados de Moar é, assim, uma espécie de álbum coletivo de fotografias. Formado por lembranças consideravelmente diversas, "mas autênticas", diz a neozelandesa que vive em Colônia.

Para ela, é importante também a presença de relatos de imigrantes que tenham crescido na Alemanha. Em sua busca de registros, Moar encontrou, por exemplo, dois turcos que disseram a ela não terem tido uma "infância alemã", mesmo tendo crescido no país, por terem tido muitas influências da cultura do país de origem de seus pais. O que, para Moar, não importa: "Isso também é uma infância alemã", conclui a artista.

Leia mais