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Economia

Banco Central Alemão comemora 50 anos

A instituição considerada durante muito tempo a mais confiável da Alemanha perdeu sua principal função com a introdução do euro. Cinqüenta anos após sua fundação, o Banco Central Alemão busca novas tarefas.

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Sede do Bundesbank em Frankfurt do Meno

Durante décadas, o Banco Central Alemão (Deutsche Bundesbank) foi um mito. Era a instituição que mais contava com a confiança dos alemães. "Nem todos os alemães crêem em Deus, mas todos acreditam no Bundesbank", disse Jacques Delors, na presidência da União Européia, em 1992.

Na função de guardião da moeda, o Banco Central simbolizava a força do marco alemão e o milagre econômico do pós-guerra. No entanto, com a introdução do euro, a situação mudou de uma hora para a outra e esta instituição alemã teve que transferir sua principal incumbência – a estipulação da taxa de juros – para o Banco Central Europeu.

Desde então, o Bundesbank está ameaçado de cair na insignificância. Programas de redução de gastos e cortes de empregos acompanham o jubileu de 50 anos da instituição, no dia 1º de agosto.

Instituição de futuro incerto

O presidente do Banco Central Alemão, Axel Weber, destaca que a participação da instituição na política monetária européia continua sendo uma importante tarefa. Weber representa a principal economia européia no conselho do Banco Central Europeu, mas o peso de seu voto não é maior que o de países pequenos, como a Eslovênia e Luxemburgo.

Outras importantes funções do Bundesbank, na opinião de Weber, são fornecer dinheiro corrente à economia, fazer empréstimos a outros bancos, inspecionar instituições financeiras e aconselhar o governo federal.

Mas há quem considere o Banco Central Alemão supérfluo. "Em 50 anos, o Bundesbank não vai mais existir", prevê o professor Dirk Schiereck, da European Business School, em Oestrich-Winkel. Karl Otto Pöhl, ex-presidente da instituição, também é cético: "O Bundesbank não é mais o que foi. O mito quase não existe mais".

Agora o Banco Central Alemão busca novas tarefas. No edifício de concreto com 13 andares em Frankfurt do Meno, esta busca de identidade já dura tempo demais e é mal veiculada, comentam os críticos. Há anos que a instituição vem diminuindo: de 127 sedes, só deverão sobrar 47 até 2012. Dentro deste prazo, o número de funcionários deverá cair de 10.970 para 9 mil.

Falar mais alto que a política

Embora a visão do futuro não seja das mais promissoras, o passado do Banco Central Alemão é glorioso. Mesmo em conflito com chefes de governo e ministros das Finanças, a instituição conseguiu impor uma política independente de juros durante décadas. Foi isso que a tornou um modelo para o Banco Central Europeu.

A população sempre foi vista como aliada do Bundesbank. Sem o apoio da opinião pública, é possível que o banco tivesse perdido algumas disputas com o governo federal. O impasse do ouro, em 1997, se tornou legendário. Ao reivindicar uma valorização das reservas de ouro do país, o então ministro das Finanças Theo Waigel (CSU) sofreu uma derrota degradante. Os jornais se indignaram com a "operation goldfinger" e com a tentativa de passar por cima do Banco Central.

Quando os políticos tentaram recorrer mais uma vez ao patrimônio em ouro, em 2003, com a meta de complementar o orçamento federal, o presidente do Bundesbank, Ernst Welteke, propôs a criação de um fundo a ser alimentado pelas vendas de ouro. O projeto nunca foi realizado. Hoje os cofres do banco abrigam 3.420 toneladas deste precioso metal.

Algumas poucas derrotas

Mas o Bundesbank também chegou a perder batalhas contra a política. Na época da reunificação alemã, Karl Otto Pöhl, presidente da instituição, foi isolado pelos políticos. Em 1990, ele já advertia das "conseqüências catastróficas" da reunificação na Alemanha socialista e recomendava um câmbio monetário de dois para um entre as moedas da Alemanha Oriental e Ocidental. Em plena euforia nacional, seus apelos não foram ouvidos; e de tanta decepção, Pohl renunciou ao cargo em 1991.

Outro mérito do Bundesbank foi a introdução do euro como moeda corrente em 1º de janeiro de 2002. A maior operação de conversão monetária da história foi administrada com maestria logística. Empresas de transporte distribuíram, na passagem do ano, cerca de 71.500 toneladas de moedas e 2,5 bilhões de cédulas aos clientes.

O maior escândalo da história da instituição, considerada durante décadas um símbolo de integridade, foi provocado por Welteke na presidência do Bundesbank. Ele teve que renunciar ao cargo em 2004, acusado de ter pernoitado em um hotel de luxo de Berlim às custas do Dresdner Bank.

O processo movido por Welteke contra o Bundesbank não foi concluído até hoje. Seu sucessor, o professor universitário Axel Weber, se encarregou de implementar os programas de cortes, contando hoje com o respeito de todos.

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