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Economia

Banco alemão é alvo de processo nos Estados Unidos

Processos por discriminação sexual são comuns nos Estados Unidos e agora é a vez de uma filial americana de um banco alemão. Seis mulheres estão processando o Dresdner Bank em 1,4 bilhão de dólares.

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A maioria dos chefes ainda são homens: até quando?

Em janeiro último, um grupo de seis executivas entrou com queixa por discriminação sexual contra a subsidiária americana de um banco de investimentos alemão, o Dresdner Kleinwort Wasserstein (DrKW). As querelantes acusam o banco de serem "sistematicamente" excluídas de promoções e de receberem um salário menor do que seus colegas homens pelo mesmo serviço executado.

As funcionárias estão pedindo 1,4 bilhão de dólares (1,16 bilhão de euros) de indenizações em uma ação conjunta, o que reflete a natureza altamente lucrativa dos bancos de investimento. Enquanto tais processos por discriminação sexual são comuns nos Estados Unidos e estão cada vez mais freqüentes no Reino Unido, eles ainda são raros na Alemanha, embora as estatísticas mostrem que o tratamento dado às mulheres no mercado de trabalho alemão é um dos piores do mundo.

É improvável, entretanto, que empregadores alemães esperem agora uma onda de processos por discriminação sexual. Segundo Ute Sacksofsky, cientista jurídica da Universade de Frankfurt especializada em Direito Constitucional e causas de gênero, existem uma série de motivos que levam a esta conclusão.

Discriminação não é crime

Dresdner Kleinwort Wasserstein Zentrale

Sede do DrKW em Frankfurt

Em primeiro lugar, as indenizações pagas por danos na Alemanha são bem menores que nos Estados Unidos, ou seja, financeiramente um processo legal não é motivador. Além disto, a Alemanha não tem um sistema de júri, onde os jurados decidem a indenização que deve ser paga. Esta quantia é baseada em um Código Civil existente e o juiz decide quanto deve ser finalmente pago.

"A lei estabelece que o pagamento deva ser proporcional ao dano causado e este pagamento é quase sempre menor na Alemanha que nos Estados Unidos", comenta Sacksofsky. Isto é válido para todas as ações de indenização, não somente por discriminação, ela acrescenta.

Uma razão menos concreta, porém talvez igualmente importante, é o fato de que "culturalmente, a discriminação sexual não é encarada como algo criminoso", comenta Sacksofsky. "Muita gente acha que o empregador tem o direito absoluto de promover quem ele queira, que ele deve ter autonomia nesta questão. Isto remonta ao nosso conceito da liberdade contratual".

Uma razão final pode também ser que com tão pouco apoio para ações por discriminação sexual, "as pessoas talvez achem que tais processos terminarão com suas chances no mercado de trabalho", acrescenta a cientista.

Além das queixas contra pagamento desigual e falta de promoções, a ação contra o DrKW engloba assédio sexual, comentários menosprezadores sobre férias de maternidade, e as queixosas afirmam que, algumas vezes, as reuniões terminavam em clubes de strip-tease, visando efetivamente a exclusão das mulheres. A companhia declarou que muitas das reclamações seriam irrelevantes para um caso de discriminação sexual e que serviriam simplesmente para prejudicar a imagem da firma.

As estatísticas demonstram vazamento nas tubulações

Frau mit SMS Handy

Apesar de eficientes, mulheres são mal pagas

Se as anedotas são verdadeiras ou não, não é difícil encontrar estatísticas que evidenciam a existência de uma barreira invisível que impede a ascensão feminina. Segundo o instituto de estatística Eurostat, existe uma média de 16% de diferença no pagamentos entre mulheres e homens dentro da União Européia. Um estudo realizado em 2004 para a revista Stern demonstrou que, em média, mulheres recebem 24% a menos que os homens na Alemanha – o pior resultado dentro dos países europeus.

No momento, o efeito chamado "vazamento nas tubulações" – o fato de que uma grande quantidade de mulheres começam sua carreira nos escalões mais baixos de uma companhia, mas de alguma forma somem de vista antes de chegar ao topo – é evidente por todo o mundo de negócios da Alemanha e da Europa como também dos Estados Unidos.

Na divisão de mercado de capitais do DrKW, as mulheres ocupam 60% de todos os postos da administração, mas elas representam somente 20% dos vice-presidentes, 13% dos diretores e somente 2% de diretores-executivos, foi o que reportaram os advogados que tratam do caso ao Manager Magazin.

Companhias modelo

Frau mit Notebook und Handy auf einem Flughafen

Investir na ascensão feminina é rentável

Beate Winterer da organização Total Equality (igualidade total) comenta que não há dúvidas que este tipo de barreira invisível exista na Alemanha. "Olhe o número de mulheres em posições de liderança em companhias alemãs", comenta Winterer, acrescentando que "os alemães não estão sempre dispostos a ir aos tribunais".

De acordo com Winterer, a Total Equality foi criada para premiar companhias que, de fato, oferecem às mulheres uma chance melhor. Para decidir a quem premiar com um certificado, o grupo leva em consideração quesitos como o oferecimento de cursos de monitorização para funcionárias, horário de trabalho flexível e qual companhia realmente ajuda a mulher a conciliar família e trabalho.

Segundo Beate Winterer, as companhias não introduzem tais serviços porque são gentis, mas porque assim tornam-se competitivas a longo prazo.

"Eles reconhecem que elas são mulheres muito qualificadas e que eles devem dar-lhes uma chance de ascensão", ela comenta. "E isto ajuda na imagem da companhia, tanto fora quanto dentro da firma".

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