Baixa participação e avanço da direita nas eleições para Parlamento da UE | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 07.06.2009
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Mundo

Baixa participação e avanço da direita nas eleições para Parlamento da UE

Em grande parte do bloco europeu, a vitória é dos direitistas, desde moderados a xenófobos e racistas. Grécia e Suécia estão entre as exceções. Na Alemanha, os olhos já se voltam para o pleito nacional de setembro.

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Campanha foi acirrada na Alemanha

Segundo as projeções das TVs públicas ARD e ZDF, os partidos conservadores cristãos da Alemanha estão à frente nas eleições para o Parlamento Europeu, realizadas neste domingo (07/06). A União Democrata Cristã e a Social Cristã (CDU/CSU) devem contar com o apoio de mais de 38% dos eleitores.

Apesar da perda de mais de cinco pontos percentuais em relação às últimas eleições, em 2004, a ala da chanceler federal Angela Merkel está bem à frente do Partido Social Democrata (SPD), também da coalizão governamental. Estes não deverão passar dos 21%, ficando, portanto ainda abaixo do recorde negativo de cinco anos atrás.

Em seguida vem o Partido Verde, com um pouco mais de 12% dos votos, retornando aos bons resultados de 2004. Ainda segundo ARD e ZDF, os liberais democratas alemães (FDP) conseguiram, com 10%, seu melhor resultado numa eleição europeia. Também A Esquerda teve um crescimento, ficando em torno de 7%.

Europa Central tende à direita

Nos 27 países da União Europeia, as eleições ao Parlamento Europeu transcorreram entre a quinta-feira e o domingo. As projeções divulgadas demonstram, no geral, uma tendência em direção à direita, favorecendo não só conservadores e democrata-cristãos, como também os agrupamentos radicais.

Europawahl 2009 Österreich

Seção eleitoral na Áustria

Na Áustria, o Partido da Liberdade (FPÖ) conseguiu 13,1%, portanto 6,8 pontos porcentuais a mais do que em 2004. Ainda durante a campanha eleitoral para a UE, os populistas foram criticados por suas declarações anti-islâmicas. A Lista do eurocético Hans Peter Martin, fundador de uma Iniciativa para Transparência Europeia (ETI), ficou com 18,2%, quatro pontos a mais do que nas últimas eleições para o Parlamento Europeu.

Na República Tcheca, que atualmente ocupa a presidência da UE, os conservadores Democratas Burgueses (ODS) conseguiram defender sua posição de liderança política, ficando com 29% dos votos. Aos social-democratas coube 24%, aos comunistas cerca de 15%.

Segundo dois grandes institutos de pesquisa de opinião da Hungria, a nacional-conservadora Aliança dos Jovens Democratas (FIDESZ), de oposição, conseguiu pelo menos quatro vezes mais mandatos do que o Partido Socialista Húngaro (MSZP). O único outro grupamento a alcançar o mínimo de 5%, exigido para entrar no Parlamento da UE, foi o Jobbik ("Os Melhores"), de extrema direita.

Anti-islamitas, UMP e Berlusconi

Na Holanda, os resultados já foram apresentados no próprio dia da eleição, a quinta-feira. O anti-islâmico Partido da Liberdade (PVV) obteve 15% dos votos, cabendo-lhe quatro cadeiras no Parlamento.

Também no Chipre resultados parciais já começaram a ser divulgados antes do fechamento das urnas. De acordo com estes, a conservadora Assembleia Democrática (DISY), da metade grega da ilha, filiada à UE, é o mais grupamento forte, estando à frente do Partido Progressista do Povo Trabalhador (AKEL), de esquerda, a que pertence o presidente Dimitris Christofias.

Na França, a conservadora União por um Movimento Popular (UMP), do presidente Nicolas Sarkozy, igualmente liderou as urnas, segundo pesquisas de opinião. A situação deverá se repetir na Itália, favorecendo o Popolo della Libertà (PDL), do primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

No Reino Unido estima-se, por exemplo, que o British National Party (BNP), que só admite afiliados de cor branca, estará entre os que fortalecerão sua posição nessas eleições.

Exceções

Symbolbild Jugend in Europ und die Europwahlen

Baixa presença às urnas, apesar de esforços de mobilizar jovens

Porém, em alguns países-membros do bloco europeu, registrou-se uma tendência contrária ao avanço da direita.

Na Grécia, os oposicionistas socialistas ficaram por cima. Três diferentes pesquisas atribuem entre 36 e 39,5% dos votos ao Movimento Socialista Pan-Helênico (PASOK). O conservador Nova Democracia (ND), do premiê Costas Karamanlis ficou em segundo lugar, com 30a 33%.

A Suécia prevê a vitória para o Partido Social-Democrata dos Trabalhadores (SAP) e algumas conquistas para partidos menores. Entre esses, deverá contar tanto o Partido Verde como o Partido Pirata, que é contra restrições na internet e se bate pelo direito às cópias privadas de música e filmes.

Confirmando previsões da UE, a participação limitou-se a aproximadamente 43% do eleitorado europeu. O portal predict.eu divulgou prognóstico segundo o qual os conservadores ocuparão 262 das 736 cadeiras do Parlamento Europeu. Aos socialistas caberiam 194 mandatos, e aos liberais, 85. A atual composição do órgão é de 288 deputados conservadores, 217 social-democratas e 100 liberais.

Ensaio para setembro na Alemanha

Além de sua relevância em nível europeu, esse pleito é visto na Alemanha como um "ensaio" para as eleições nacionais em setembro próximo, onde os atuais parceiros de coalizão, CDU/CSU e SPD, se enfrentarão.

O líder social-democrata, Franz Müntefering, classificou o resultado como "decepcionante". "É uma noite difícil para nós, não há dúvida", declarou em Berlim, e conclamou seus correligionários a se concentrar na campanha pelas próximas eleições.

A perda de cinco pontos percentuais pareceu não preocupar muito os conservadores cristãos. Para eles, o essencial é continuar à frente de seus parceiros-rivais, os social-democratas.

AV/dpa/ap

Revisão: Rodrigo Abdelmalack

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