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Cultura

Bagdá diz que EI destruiu réplicas de obras de arte

Maior parte dos originais está no Museu Nacional do Iraque ou no exterior, afirma autoridade responsável por antiguidades. Principal problema é recuperar o que foi vendido no mercado negro.

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Vista interna da sala assíria do Museu Nacional do Iraque

O Museu Nacional do Iraque, em Bagdá, é mais do que nunca um fenômeno de visitação. Ele foi reaberto no final de fevereiro, apenas dias após a milícia terrorista "Estado Islâmico" (EI) ter divulgado um vídeo na internet mostrando a destruição de estátuas e artefatos assírios no museu de Mossul. Assim, muitas pessoas vêm ao Museu Nacional em Bagdá para ver o que sobrou dos bens culturais iraquianos.

Mas quem perguntar ao responsável pela segurança do museu qual a opinião dele sobre o vídeo do EI recebe uma resposta impressionante: "Eles não destruíram originais em Mossul, era tudo cópia". Os originais estão em Bagdá, afirma, apontando para grandes altorrelevos, estátuas de touros alados e figuras de guardiões provenientes de Nimrud, Hatra e Khorsabad. Segundo o guarda, muitos outros bens culturais se encontram no exterior, incluindo a Alemanha.

Estátuas de gesso

Irak Zerstörung Museum in Mossul

Vídeo mostra destruição de supostas estátuas antigas

Fawzi al-Mahdi, chefe da autoridade iraquiana responsável por antiguidades, confirma a informação. Ela disse ter observado atentamente o vídeo de internet. Segundo Al-Mahdi, a máscara sendo destruída por um martelo é de gesso, como também as estátuas. "Nenhum dos objetos mostrados no vídeo é um original."

A milícia terrorista, no entanto, roubou estatuetas de barro, emblemas de madeira de carvalho e outros objetos valiosos, que foram contrabandeados e vendidos, afirma Al-Mahdi, acrescentando que não se pode precisar quantos deles foram destruídos nesse processo.

Também na Alemanha apareceram sete objetos roubados do museu em Mossul, disse. De acordo com relatos da mídia, um correspondente da TV estatal Al-Iraqia obteve uma lista com esses objetos, que deveriam ser vendidos no mercado negro.

Histórico de destruição

Al-Mahdi conta que, quando o EI assumiu o controle de Mossul, em junho passado, os funcionários do museu local fugiram para as regiões curdas de Erbil ou Dohuk. Paulatinamente, os ocupantes saquearam as vitrines do museu, como também os seus depósitos. Lá se encontravam originais, assegura.

Ela diz que lhe parte o coração ver a destruição cega do patrimônio cultural iraquiano pelos combatentes do EI. Segundo a especialista, a guerra dos radicais islâmicos contra o que chamam de ídolos não pode ser justificada.

Na longa história da Mesopotâmia, destruições de bens artísticos e culturais aconteceram repetidamente, explica. A civilização altamente desenvolvida, a abundância de água e as rotas comerciais fizeram do Iraque uma região muito disputada. "Todos os nossos vizinhos quiseram nos ocupar." E, todas essas vezes, as "forças dominantes" tentaram eliminar o passado.

Fawzye al-Mahdi, Antikenverwaltung Irak

Al-Mahdi: "Nenhum dos objetos do vídeo é um original"

Al-Mahdi é cautelosa ao falar de "forças dominantes" e não de "forças de ocupação" ou "conquistadores". Algumas vezes, a situação se manteve sob controle, tendo sido cortado somente o nariz ou a cabeça de algumas estátuas, justifica. Mas, em outras vezes, elas foram completamente destruídas.

Mesmo em tempos recentes faltou respeito ao legado cultural do Iraque, reclama Al-Mahdi. Com suas guerras, o ex-ditador Saddam Hussein provocou muita destruição, mas também a coalizão militar liderada pelos EUA usou sítios culturais como depósitos militares.

Recuperar o que foi vendido

Por esse motivo, há poucas peças originais na atual Babilônia, explica a chefe do setor de antiguidades. A Porta de Ishtar é uma réplica, assim como o Palácio de Nabucodonosor. Também nas ruínas assírias destruídas pelo "Estado Islâmico" em Hatra, Nimrud e Khorsabad, nem todos os bens culturais eram originais.

A administração do Museu Nacional do Iraque possui plantas e desenhos exatos dos sítios originais, de forma que eles podem ser reconstruídos posteriormente. Mas, para avaliar os danos, é preciso ir ao local, diz Al-Mahdi. Ela não se atreve a fazer nenhum balanço.

Para a especialista, o maior problema agora é recuperar os objetos de arte roubados e vendidos no exterior. Segundo Al-Mahdi, a cooperação com outros países é catastrófica, afirma. Poucos objetos roubados retornam ao Iraque. Por um lado, porque o controle nas fronteiras dos países vizinhos e nos países ocidentais é insuficiente. Por outro, porque o mercado de arte ilegal está florescendo.

A Unesco, que se comprometeu com a proteção do patrimônio cultural mundial, não dispõe de nenhum instrumento eficaz para conter esse comércio ilegal de objetos cada vez mais forte, afirma Al-Mahdi.

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