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Alemanha

Bactérias contra a dioxina

Cientistas alemães da Universidade de Halle-Wittenberg conseguiram cultivar em laboratório bactérias que ajudam a limpar áreas e rios contaminados com dioxina, uma das substâncias mais tóxicas e nocivas ao meio ambiente.

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Pólo químico de Bitterfeld causou grande contaminação na Alemanha Oriental

A região onde se situa Leipzig foi uma das mais poluídas pelos resíduos das antigas indústrias químicas da Alemanha comunista. Há muito desativadas, elas deixaram uma grave herança, principalmente em Bitterfeld, o grande pólo químico da Alemanha Oriental: dioxinas e furanos, as substâncias tóxicas mais nocivas para o ser humano e o meio ambiente. A dioxina surgiu décadas atrás como resíduo de processos industriais ou da queima de substâncias. A mais perigosa de todas ficou conhecida como "o veneno de Soveso", é altamente cancerígena e provoca deformações em fetos.

As dibenzo-p-dioxinas policloradas (PCDD) não são degradáveis, isto é, não são transformadas pelo meio ambiente. A sua eliminação tornou-se um desafio para os cientistas, que passaram a fazer experiências com bactérias. Primeiramente, constatou-se que muitas delas suportavam as dioxinas. Depois, que essas bactérias podiam auxiliar na decomposição das PCDD.

A bactéria que decompõe cloro

Com a ajuda dos bioquímicos da Universidade Técnica de Berlim, o Instituto de Microbiologia da Universidade de Halle-Wittenberg conseguiu identificar uma dessas bactérias e cultivá-la em laboratório. Ela pertence à espécie dos dehalococoides e foi encontrada em sedimentos no rio Spittelwasser, um pequeno afluente do Elba, bastante poluído.

Esses sedimentos anaeróbios (sem oxigênio) encontravam-se no fundo do rio, mas a quantidade de bactérias era ínfima, pois não conseguiam sobreviver na luta contra outras espécies. Como seu manejo era muito difícil, até agora ninguém conseguira reproduzi-las em laboratório, o que fizeram os cientistas alemães, encabeçados por Michael Bunge e Ute Lechner, que descrevem seu experimento na última edição da revista científica Nature.

As bactérias dehalococoides têm a capacidade de decompor átomos de cloro, inclusive dos hidrocarbonetos, que costumam ser resistentes a qualquer "ataque" do gênero. "Elas conseguem romper as ligações dos átomos de cloro, de forma que, a seguir, outras bactérias podem concluir o processo de dissolução", declarou o professor Jan Andreesen, diretor do Instituto de Microbiologia, ao jornal Die Welt. O processo é controlado por enzimas que as dehalococoides têm em sua membrana celular. Como isso se dá através do seu metabolismo, a bactéria é uma verdadeira "devoradora de cloro".

Aplicação no saneamento ambiental

Além de cultivar as bactérias em laboratório, os cientistas documentaram todo o processo de dissolução da dioxina. Seu trabalho é avaliado como um importante passo para o saneamento eficaz de rios contaminados ou grandes áreas industriais. O uso de bactérias seria bem mais econômico do que transportar grandes quantidades de terra, lama ou dejetos contaminados, que ainda teriam que ser devidamente armazenados ou eliminados.

Em Halle e Wittenberg, porém, os cientistas querem continuar seus estudos, pois acham que será muito difícil soltar na natureza culturas de bactérias que se multiplicaram a duras custas em laboratório. Elas são muito sensíveis ao oxigênio. Uma das possibilidades é modificá-las geneticamente, para aumentar sua resistência no meio fluvial.

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