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Ciência e Saúde

Bactéria poderá ajudar a combater o lixo plástico

Cientistas japoneses descobrem bactéria capaz de decompor o plástico pet, que permanece no meio ambiente por centenas de anos. Pesquisador afirma, porém, que o novo processo ainda é muito longo.

Um estudo de pesquisadores japoneses divulgado nesta sexta-feira (11/03) pela revista científica Science revela que a bactéria Ideonella sakaiensis 201-F6 poderá ajudar na redução do lixo plástico no meio ambiente.

Até há pouco, sabia-se que apenas alguns fungos eram capazes de decompor o plástico pet (politereftalato de etileno). A equipe do pesquisador Shosuke Yoshida, do Instituto de Tecnologia de Kyoto, revelou, porém, que essa bactéria tem duas enzimas que conseguem decompor o material.

Os pesquisadores recolheram 250 amostras de um centro de reciclagem de garrafas pet, incluindo solo, águas residuais e lodo. Em laboratório, eles verificaram se, nas amostras, havia microorganismos que conseguissem degradar uma fina folha de politereftalato de etileno. Uma das amostras apresentou resultado positivo, e a bactéria dessa amostra foi batizada por eles de Ideonella sakaiensis 201-F6.

Foram necessárias 60 semanas – em temperatura constante de 30ºC – para que a bactéria conseguisse decompor completamente a folha de pet. Os pesquisadores identificaram duas enzimas responsáveis pela decomposição do plástico, convertendo-o em dois monômeros inofensivos ao meio ambiente, o ácido tereftálico e o etilenoglicol.

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Entretanto, ainda não está claro se a bactéria poderá ser utilizada para eliminar materiais plásticos do meio ambiente. "O processo de decomposição é relativamente longo", analisa o pesquisador Uwe Bornscheuer, da Universidade Greisfald, na Alemanha. Ele diz que as 60 semanas necessárias para que as enzimas consigam decompor uma folha bem fina ainda são um prazo muito longo.

Segundo dados de 2013, em apenas um ano são produzidas 300 milhões de toneladas de plástico, e 56 milhões são de pet. Desse total, apenas uma quantidade muito pequena é reciclada. A maior parte acaba no meio ambiente, onde o processo de decomposição de uma única garrafa pode levar até 450 anos.

Mesmo assim, Bornscheuer considera importante a descoberta da superbactéria, principalmente para a reciclagem do plástico pet. "Se o ácido tereftálico puder ser isolado e reutilizado, isso significará grandes economias na produção de novos polímeros sem a necessidade de utilizar materiais baseados em petróleo", analisou.

RC/dpa

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