1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Economia

Autovisão, uma chance

Diante dos últimos atritos entre metalúrgicos e Volkswagen em São Paulo e da ameaça do presidente Pischetsrieder de demitir grevistas, DW-WORLD entrevistou o coordenador do Conselho Mundial de Funcionários da montadora.

default

Dias de insegurança para os trabalhadores da VW em São Paulo

Pela segunda vez desde agosto, os operários da Volkswagen de São Bernardo do Campo e Taubaté ficaram esta semana em pé de guerra com a direção da montadora. Na sede mundial, em Wolfsburg, o presidente do conglomerado, Bernd Pischetsrieder, chegou a declarar que poderá recorrer a demissões em caso de "uma greve ilegal".

O pivô da questão é a implementação no Brasil do projeto Autovisão, inspirado no Autovision aplicado na Alemanha desde 1998. O programa visa a redução do quadro de funcionários da montadora, sem necessariamente demiti-los. O projeto parte da premissa da redução da demanda por mão-de-obra direta nas montadoras.

No caso brasileiro, a queda nas vendas de automóveis teria deixado 3933 trabalhadores ociosos na Volkswagen. Eles estão, entretanto, protegidos contra demissões por acordos de estabilidade, vigentes até fevereiro de 2004, em Taubaté, e 2006 em São Bernardo.

Bernd Pischetsrieder, neuer Vorstand von VW mit Ferdinand Piech

Bernd Pischetsrieder, presidente mundial da Volkswagen

A montadora prevê a transferência, a partir da próxima quarta-feira, do excedente para a Autovisão, uma empresa própria de recolocação de mão-de-obra e requalificação profissional. Os funcionários seriam realocados em fornecedores, outras firmas do setor automobilístico e metalúrgico, ou até mesmo em atividades diferentes. A categoria rejeita entretanto esta alternativa oferecida pela companhia e ameaça entrar em greve, caso a VW implemente o projeto unilateralmente.

Em entrevista à DW-WORLD, o coordenador geral do Conselho Mundial de Funcionários da Volkswagen, Werner Widuckel, relativizou a ameaça de Pischetsrieder e demonstrou acreditar que o Autovisão pode ser uma alternativa ao desemprego também no Brasil.

Como o Sr. está acompanhando os acontecimentos na Volkswagen do Brasil?

Estamos em contato permanente com nossos colegas sindicalistas e estamos bem informados sobre a situação. A gente vem trocando opinião de forma intensiva. Nossa maior preocupação está no fato de que as atuais vendas de automóveis não é suficiente para ocupar o quadro de funcionários. Precisamos com urgência e muito rapidamente de alternativas de ocupação em vez de demissões. As conseqüências econômicas da crise da indústria automobilística brasileira na Volkswagen devem ser levadas muito a sério.

Como o Sr. analisa a ameaça do presidente Pischetsrieder de demitir grevistas?

A declaração do Sr. Pischetsrieder foi em resposta à pergunta de um jornalista sobre a hipótese de uma greve ilegal. Tanto a CUT como a Volkswagen já reafirmaram que irão cumprir os acordos em vigor. Sendo assim, uma greve ilegal é uma suposição absurda. Além disso, a direção do conglomerado esclareceu, internamente, que os direitos dos trabalhadores e dos sindicatos são em geral respeitados na Volkswagen.

O Sr. acredita que Pischetsrieder também teria se expressado assim, caso se tratasse de trabalhadores na Alemanha?

Até agora temos boas experiências de trabalho conjunto com o Sr. Pischetsrieder. Isto vale também para a necessária solução de problemas no Brasil. Ele também participa do princípio de que é melhor, na atual crise, procurar alternativas de ocupação fora da Volkswagen do que enviar funcionários para o desemprego.

AutoStadt

O misto de museu, centro de lazer e vendas AutoStadt faz parte do projeto Autovision em Wolfsburg

O que o Sr. acha do projeto Autovision? Seria algo aplicável ao Brasil?

Eu mesmo participei da concepção do Autovision na Alemanha. Seu desenvolvimento e aplicação foram um processo de cooperação. Para este processo é preciso, entretanto, ter a compreensão de que não é possível manter todo posto de trabalho e em qualquer situação na Volkswagen, nem criar qualquer novo emprego na empresa. Isto vale também para o Brasil. Em que áreas e sob quais condições se pode organizar novas ocupações alternativas, tem de ser decidido e aplicado em cada país, conforme as condições econômicas e políticas em cada um deles. No caso do Brasil, acho que há chance.

O sindicato dos metalúrgicos da Alemanha, IG Metall, apóia a estratégia dos sindicalistas brasileiros em São Paulo?

Nós apoiamos nossos colegas em seu empenho para evitar demissões e oferecemos nossa experiência e nosso conhecimento do Autovision.

Leia mais