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Economia

Autoridades mundiais de aviação tiram Boeing 787 do ar

Após uma série de panes, Estados Unidos, Japão, Índia e Chile decidiram suspender as operações do Boeing 787 Dreamliner. A aeronave também está proibida de voar na Europa. Não há voos do 787 para o Brasil.

Após a agência norte-americana reguladora de aviação (FAA, na sigla em inglês)  ter suspenso temporariamente as operações do Boeing 787 Dreamliner nos Estados Unidos nesta quarta-feira (16/01), a LAN Chile e as autoridades indianas também ordenaram suspender os voos da aeronave.

Nesta quinta-feira, a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA, na sigla em inglês) também seguiu a diretriz da FAA e proibiu as operações do avião da Boeing na Europa.

Anteriormente, a All Nippon Airwas (ANA) e a Japan Airlines (JAL), maiores empresas do setor aéreo japonês, decidiram deixar suas aeronaves Boeing 787 em terra na sequência de um incidente com um voo da ANA na quarta-feira.

O Dreamliner da ANA realizava um voo doméstico com 129 passageiros e oito tripulantes a bordo, quando foi detectada fumaça na cabine cerca de meia hora após a decolagem, o que obrigou a uma aterrissagem de emergência no aeroporto de Takamatsu, no sul do Japão. Os sensores do avião da ANA indicaram problemas nas baterias.

Esse foi o sexto incidente envolvendo o mais moderno avião da Boeing nos últimos dez dias. No dia 7 de janeiro, outro Dreamliner da ANA também teve problemas, desta vez em terra, no aeroporto de Boston.

Boeing 787 Dreamliner Notlandung in Japan

Aterrissagem de emergência do Dreamliner no Japão

Perigo de incêndio

A agência norte-americana justificou a retirada dos Boeing 787 do ar pela possibilidade de as baterias incendiarem. Segundo a FAA, as falhas na bateria de íon-lítio resultaram na liberação de eletrólitos inflamáveis, provocando estragos por calor e fumaça nos dois aviões 787. A agência declarou ainda que "antes de qualquer voo, os operadores dos aparelhos Boeing 787, registrados nos EUA, têm que demonstrar à FAA que as baterias são seguras."

Depois de dizer que as causas dos problemas estão sendo investigadas, a agência acresceu que "essas condições, se não forem corrigidas, podem causar danos em estruturas e sistemas críticos, além do potencial de fogo no sistema elétrico".

A FAA acrescenta, finalmente, que está alertando a comunidade internacional, para que outras autoridades civis de aviação "possam decidir ações paralelas para cobrir as frotas que operam nos seus países."

Dreamliners no mundo

Na Índia, o governo do país também ordenou à companhia aérea Air India que suspenda as operações de seus aviões Boeing 787. "Pedimos à Air India para deixar em terra os seus seis Dreamliners, depois de termos recebido uma recomendação da Autoridade Federal de Aviação norte-americana por razões de segurança", declarou o diretor-geral da aviação civil na Índia, Arun Mishra.

Em todo o mundo, 49 aviões Boeing 787 de oito companhias se encontram em operação. A primeira aeronave foi entregue há 15 meses. Nos Estados Unidos, a United Airlines, maior companhia aérea do mundo, é a única operadora que utiliza esse avião, com uma frota de seis unidades.

Na América do Sul, a companhia aérea chilena LAN é a única a operar com o Dreamliner, com um total de três unidades. Não há voos para o Brasil. Em comunicado, a companhia informou nesta quinta-feira que "no seguimento da recomendação da FAA norte-americana, a LAN vai suspender temporariamente a operação dos seus três Boeing 787".

Com 24 unidades, as companhias aéreas japonesas ANA e JAL contam com a maior frota de Dreamliners no mundo. Na Europa, somente a companhia polonesa LOT opera com dois Boeing 787.

Dreamliner / Japan Airlines

Avião da Boeing também apresentou problemas no aeroporto de Boston

Golpe duro para a Boeing

No Japão, os investigadores do escritório de aviação civil e da comissão de segurança se concentram no exame da bateria de íon-lítio, fabricada pela sociedade japonesa GS Yuasa e integrada num sistema elétrico concebido pelo grupo francês Thales. "A bateria demonstra anomalias que podem ser vistas a olho nu, mas o sistema elétrico é complexo e exige outras investigações", declararam os investigadores.

Esse foi um duro golpe para a fabricante de aviões norte-americana. Até agora, a Boeing tinha mais de 800 Dreamliners encomendados. A notícia da suspensão das operações do Dreamliner acontece simultaneamente ao anúncio do grupo europeu Airbus de que perdeu sua posição de maior fabricante mundial de aviões para a Boeing. A Airbus declarou, no entanto, que obteve um recorde de vendas e entregas (588 aviões) no ano passado.

A Airbus se recusou a comentar os problemas da Boeing. Falando à imprensa na apresentação anual dos resultados comerciais da empresa, o executivo-chefe da Airbus, Fabrice Bregier, disse que não era sua tarefa "dar lições à Boeing", ressaltando que no passado a fabricante europeia também teve de enfrentar seus próprios problemas.

Apesar de tudo, a Boeing disse estar confiante na segurança de sua aeronave. O presidente da companhia norte-americana declarou que a Boeing trabalha ininterruptamente com as autoridades responsáveis para resolver o problema. "Nós estamos convencidos de que o Boeing 787 é seguro", disse Jim McNerney.

CA/afp/dpa/lusa/ap/dapd
Revisão: Francis França

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