1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

Autora alemã lança monografia sobre cineasta Nanni Moretti

Acaba de ser lançada primeiro estudo em idioma alemão sobre o presidente do júri do Festival de Cannes deste ano. Livro de Charlotte Lorber apresenta cineasta italiano Nanni Moretti entre crítica social e poesia.

Nanni Moretti foi o senhor do júri em Cannes, neste maio de 2012. Ele presidiu um seleto grêmio de atores, cineastas e figurinistas, encarregado de decidir em Cannes sobre a Palma de Ouro. O próprio diretor italiano já mereceu a mais importante distinção do mundo do cinema em 2001, por seu filme O quarto do filho.

Antes, em 1994, Moretti já recebera o prêmio de melhor direção do festival francês por Caro diário. A premiação lhe proporcionou o salto decisivo na carreira, pelo menos no tocante à atenção internacional.

Mesmo antes de Cannes, o cineasta já era uma grandeza reconhecida em seu país: Caro diário foi seu sétimo longa-metragem. Moretti estreara em 1976 com Io sono un autarchico (Sou autárquico).

Mais de três décadas de atividade

Hoje, além de ser um dos diretores mais famosos da Itália, ele é considerado uma das cabeças pensantes do cinema nacional e ativista dos direitos civis durante a era Berlusconi. Sua produção mais recente, Habemus Papam, mostra o veterano francês Michel Piccoli como cardeal e papa eleito, em fuga diante da responsabilidade.

Ainda assim, como aponta Charlotte Lorber na introdução de sua monografia, nos países germanófonos "ainda é preciso recorrer a teses de mestrado e doutorado, assim como a ensaios isolados, quando se quer saber mais sobre um dos mais importantes cineastas das últimas três décadas".

Sua própria publicação Die Filme des Nanni Moretti – Erfahrung und Inszenierung von Räumlichkeit und Zeitlichkeit (Os filmes de Nanni Moretti – Experiência e encenação do senso de espaço e tempo), lançada na Alemanha pela Editora Schüren, originou-se de uma dissertação universitária.

Relações no espaço e tempo

Através de uma "perspectiva interpretativa específica", a autora pretende haver escapado do "perigo de uma investigação excessivamente especializada, que necessariamente ignora características elementares do cinema de Moretti". Ainda assim o ensaio em questão permanece um trabalho científico, com todas as vantagens e desvantagens.

Cineasta, intelectual e ativista italiano Nanni Moretti

Cineasta, intelectual e ativista italiano Nanni Moretti

A mencionada "perspectiva interpretativa" – baseada nos conceitos "espaço", "tempo" e "movimento" – é aplicada de forma bastante esquemática aos filmes do diretor. Para tal, Charlotte Lorber se apoia na tese de um teórico italiano de cinema.

"É possível ler a relação entre o sujeito e o mundo a partir do posicionamento das figuras dentro das relações de espaço e tempo cinematograficamente construídas, e portanto pode-se também ler o estado atual de uma sociedade." Um ponto de vista válido, e que pode ser aplicado com vantagem, ao abordar as obras de Moretti.

Análise detalhada

Contudo, uma abordagem "sensorial-emotiva" também é possível. "Como o espaço-tempo se expressa, em especial, na forma de movimento, o motivo da viagem é de significado essencial para os filmes de Moretti", prossegue a autora. Em todos os seus filmes, as viagens representam um determinado papel: "mudanças de local, travessia de fronteiras, viagens, no sentido mais amplo, em busca da felicidade, que podem acarretar mudanças mentais e ganho de conhecimentos, mas que também podem ser simplesmente uma fuga da realidade".

Em quase 400 páginas densamente redigidas, a autora analisa detalhadamente filme após filme, colocando em primeiro plano o significado do espaço e do tempo. Ela descreve a reação da crítica local, apresenta as discussões que os filmes de Moretti desencadearam na Itália.

Aprende-se muito sobre os motivos temáticos, sobre as raízes do diretor dentro da sociedade italiana, sobre leitmotive como este: "No nível temporal, chama em especial a atenção o conflito 'infantilidade versus maturidade adulta', no qual estão envolvidos tanto o protagonista quanto a sociedade italiana, como um todo".

Cena de Caro diário

Cena de "Caro diário"

Ícone cinematográfico contemporâneo

A publicação de Charlotte Lorber preenche, de fato, uma lacuna no panorama editorial alemão. Pela primeira vez é possível estudar no país esse importante cineasta europeu. Porém, antes de tudo, o interessado deveria assistir os seus filmes. Tarefa nada fácil, no tocante à sua obra de juventude, devido à falta de oferta em DVD.

A imagem do diretor e protagonista de Caro diário, balançando-se para lá e para cá sobre sua Vespa, já se consagrou como ícone do moderno cinema de autor europeu. Um pouco mais dessa "magia" teria feito bem ao livro em questão.

Autor: Jochen Kürten / Augusto Valente
Revisão: Carlos Albuquerque

Leia mais