Austríaco admite ter mantido filha em cativeiro por 24 anos | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 28.04.2008
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Austríaco admite ter mantido filha em cativeiro por 24 anos

População da Áustria está chocada com o caso do austríaco que manteve a filha prisioneira por 24 anos e teve sete filhos com ela. Imprensa pergunta como isso pôde acontecer.

default

Prédio em cujo porão as vítimas foram mantidas prisioneiras

O caso veio à tona no sábado (26/04), depois que uma suposta neta do acusado foi hospitalizada em estado grave no hospital de Amstetten, cidade de 23 mil habitantes a 120 quilômetros de Viena. A garota de 19 anos, que sofre de uma grave enfermidade decorrente do incesto, vivia com a mãe, Elizabeth, e mais dois irmãos, num esconderijo construído por Josef F., de 73 anos.

Elizabeth contou que sofria abuso sexual do pai desde os 11 anos de idade. Em agosto em 1984, quando tinha 18 anos, teria sido sedada e presa no cativeiro construído por ele no subsolo de sua casa. Das violações sistemáticas de que foi vítima, Elizabeth contou que teve sete filhos. Um deles, gêmeo, morreu após o parto.

Segundo a agência de notícias austríaca APA, Josef, acusado de abuso sexual grave, incesto e privação de liberdade, admitiu os crimes em depoimento à polícia. Um teste de DNA deverá esclarecer se as crianças são seus filhos. Rosemarie, esposa de Josef, alega que não sabia de nada.

Paralelos criminais austríacos

Três das crianças estavam sendo criadas pelo casal de "avós". Segundo Franz Polzer, chefe do Escritório de Assuntos Criminais da Baixa Áustria, Josef F. e sua mulher disseram às autoridades que as haviam encontrado perto de sua casa em 1993, 1994 e 1997.

Cada criança teria sido abandonada com um bilhete da mãe, dizendo não ter condições de ficar com elas. Outros três filhos (hoje com 19, 18 e 5 anos de idade) permaneceram escondidos da opinião pública, sem nunca terem visto a luz do dia.

O caso, considerado pela polícia como um dos mais chocantes da história criminal austríaca, lembra o de Natascha Kampusch, hoje com 19 anos, que em 2006 conseguiu escapar do seqüestrador que a manteve presa por oito anos, também na Áustria.

"Como pode ninguém ter notado nada?"

A imprensa austríaca critica a "cegueira" das autoridades, que se revelaram incapazes de descobrir o drama mais cedo. A articulista Petra Stuiber, do jornal austríaco Der Standard, questiona por que o caso não foi descoberto mais cedo.

"De fato, este crime monstruoso impõe questões sobre uma sociedade rica e satisfeita, que durante quase um quarto de século não tomou conhecimento do que estava acontecendo na própria vizinhança. Como é possível que ninguém nunca tenha visto ou ouvido algo, que ninguém tenha feito perguntas, questiona o jornal.

Como é possível que o suspeito tenha conseguido "enganar" vizinhos, parentes, conhecidos e pessoas que mantinham algum tipo de relação com a família.

Depois de este caso vir à tona, não será possível retornar à rotina. "Toda uma nação tem de se perguntar o que está fundamentalmente errado", termina o jornal.

Leia mais