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Economia

Aumenta abismo entre salários de diretores e trabalhadores

Salário líquido dos alemães não acompanha inflação. Diretores ganham de nove a 230 vezes mais que a média dos trabalhadores do país. Para presidente do parlamento federal, a elite econômica "serve-se de forma obscena".

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Fusão com Chrysler levou Daimler a rever remuneração de executivos

Os executivos alemães estão tirando seu atraso em relação a seus pares de outros países. No mais tardar na onda de fusões, inclusive da DaimlerChrysler, decorrente da globalização da economia mundial, tornou-se evidente que a remuneração dos líderes empresariais da Alemanha estava bem aquém da dos americanos, por exemplo. Se a crise econômica dos últimos anos freou a correção dos salários dos trabalhadores, o mesmo não se pode dizer da dos grandes executivos.

Seus aumentos estão cada vez mais desvinculados da evolução dos salários dos empregados. De acordo com a Associação Alemã de Proteção aos Acionistas (DSW), a remuneração anual de cada membro da diretoria da DaimlerChrysler, por exemplo, subiu 130% em 2002 para 3,7 milhões de euros.

No Deutsche Bank, a média salarial de um diretor foi de dois milhões naquele ano, enquanto na Volkswagen esteve em 1,8 milhão e na Siemens, em 1,6 milhão. Das 30 empresas cotadas no DAX, o principal índice da Bolsa de Valores de Frankfurt, a Infineon apresenta-se como a mais modesta: seus diretores ganharam cada um 280 mil euros em 2002.

Apesar da tendência de alta, nem todos os executivos estão com suas contas mais recheadas. Os do Deutsche Bank sofreram um arrocho de 30%. Mesmo assim, seu presidente, Josef Ackermann, recebeu nada menos que 6,9 milhões de euros em 2002. Segundo a DSW, os presidentes das empresas do DAX ganham, em média, 1,75 vez a mais que os demais membros da diretoria.

Evolução comparativa

Margem financeira para tais aumentos não tem sido problema. De 1991 a 2002, as sociedades por ações conseguiram engordar seus lucros em 68%, calcula o Departamento Federal de Estatísticas (Destatis). Somente em 2002, os lucros brutos subiram 5%, apesar do crescimento de apenas 0,2% no PIB. No mesmo ano, as rendas empresarial e patrimonial deram um salto real de 5,1%. A título de comparação: os salários brutos dos trabalhadores precisaram de 11 anos (1991-2002) para acumular um aumento de 5,8%, já descontada a inflação.

A Confederação dos Sindicatos Alemães (DGB) ressalva que a desvantagem sofrida pelos trabalhadores é ainda pior, quando se examina a evolução dos salários líquidos reais. No mesmo período, estes caíram em média 0,1% ao ano.

A explicação, segundo a DGB, é que desde meados da década passada cada vez mais empregadores estão deixando de participar das negociações das convenções coletivas com as categorias profissionais, optando por acordos em separado, por empresa. A estratégia tem reduzido os custos de mão-de-obra, como adicional de férias e 13º salário, para desespero dos assalariados.

O desconcerto reflete-se na divisão das fontes de renda da população da Alemanha. Desde 1982, afirma a DGB, a participação dos salários na renda nacional recuou 5,6% e, em 2002, a cota ficou em 73,2%, contra 26,8% da renda patrimonial e da auferida com lucros.

"Aprovação desavergonhada em causa própria"

A progressão tem preocupado algumas autoridades, especialmente em tempos de reformas sociais que impingem custos de vida maiores aos cidadãos mais simples. O presidente do parlamento federal, Wolfgang Thierse (SPD), acusa o empresariado de contribuir para a indignação e o ceticismo da população com as reformas, sobretudo a dos sistema de saúde e seguridade social.

O social-democrata condena a "forma obscena" com que a elite econômica tem se servido, enquanto o simples cidadão é forçado a novos sacrifícios. Thierse considera "desavergonhada" a "aprovação de remunerações de alto valor em causa própria", a exemplo do escândalo da Mannesmann. Representantes da elite empresarial da Alemanha estão tendo de explicar na Justiça a concessão e recebimento de ricos prêmios pela venda do grupo alemão ao britânico Vodafone.

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