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Atleta brasileira diz que Jogos Paralímpicos são exemplo de cidadania

10 de setembro de 2012

Terezinha Guilhermina, considerada a velocista cega mais rápida do mundo, disse à DW Brasil que visibilidade dos Jogos Paralímpicos de Londres ajudou a mudar forma como a sociedade vê pessoas com necessidades especiais.

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Foto: Reuters

Muito mais do que medalhas, os Jogos Paralímpicos trazem para os atletas com necessidades especiais o reconhecimento, a superação e a visibilidade para os problemas de acessibilidade e preconceitos enfrentados na sociedade.

Em entrevista exclusiva à DW Brasil, a atleta paralímpica brasileira, Terezinha Guilhermina, afirmou que os Jogos Paralímpicos são um grande exemplo de cidadania." A visibilidade dos Jogos Paralímpicos trazem uma inclusão real para pessoas com deficiência, na sociedade. Não mais como alguém que só dá despesa e que é um coitado, mas uma pessoa que é admirada pela família, pelos vizinhos e pelos amigos. Isso é extremamente gratificante para mim como deficiente físico”, declarou Guilhermina.

A atleta tem cegueira total devido à uma deficiência congênita e representa o país no atletismo. No Jogos Paralímpicos de Londres, ela conquistou duas medalhas de ouro nos 100m e 200m rasos e é considerada a velocista cega mais rápida do mundo.

Paralympische Spiele London 2012 Terezinha Guilhermina
Terezinha Guilhermina ganhou duas medalhas de ouro em LondresFoto: Getty Images

"O esporte tem a possibilidade de não só reabilitar a questão física e de postura de um deficiente, mas, principalmente, de transformar um ser humano com alguma limitação num herói de um público, que não é tão pequeno quanto se imagina", acresceu a atleta.

Em Londres, o Brasil teve o seu melhor desempenho em Jogos Paralímpicos. A delegação alcançou a meta estipulada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), ficando em sétimo lugar do ranking, com 21 medalhas de ouro, 14 de prata e oito de bronze – 43 no total.

Mídia

Super-humanos, foi exatamente essa a proposta do canal britânico Channel 4. Em seu vídeo promocional da cobertura paralímpica, o canal convida o espectador a conhecer os super-humanos (Meet the Superhumans, nome original em inglês).

O vídeo mostra atletas paralímpicos como pessoas fortes e capazes de superar barreiras, mudando paradigmas numa sociedade, em que pessoas com deficiência são vistas como limitadas e dependentes.

O CPB informou que houve aumento no interesse dos brasileiros e da mídia pelos Paralímpicos. Nos Jogos de 2004 e 2008, o próprio Comitê comprou os direitos de transmissão e repassou para as televisões abertas. Já em Londres, uma emissora de TV aberta brasileira comprou os direitos para a cobertura exclusiva.

Guilhermina, que também participou dos Jogos de Pequim e Atenas, considerou as Paralimpíadas de Londres um divisor de águas no movimento esportivo para as pessoas com deficiência.

"Londres sem dúvida deixou a sua marca de valorização da pessoa, do atleta e do esporte. Me emocionei muito quando percebi como os estádios estavam cheios e quanto eles pagaram para poder assistir aos Jogos. Acho que a mídia nunca esteve tão presente numa Paralimpíada", afirmou a velocista brasileira.

Festa de encerramento dos Jogos Paralímpicos de Londres
Festa de encerramento dos Jogos Paralímpicos de LondresFoto: Getty Images

Londres e Rio

Londres se destacou como uma cidade receptiva e adaptada para portadores de necessidades especiais. O coordenador de esportes da Associação Desportiva para Deficientes (ADD), Sileno Santos, esteve em Londres e explicou que os organizadores devem pensar não apenas nos Jogos, mas também na infraestrutura da cidade.

"Aqui em Londres, por exemplo, no metrô, vejo várias pessoas com deficiência independentes na sua locomoção. As pessoas precisam circular nos metrôs, nos shoppings e nos pontos turísticos", afirmou.

Santos ressaltou ainda que os Jogos Paralímpicos são muito importantes para ajudar a mudar a mentalidade da sociedade quanto aos deficientes físicos.

"A diferença básica que vejo na Inglaterra é que as pessoas não enxergam um atleta com deficiência. Ele é um atleta e ponto. Num país onde as pessoas têm maior consciência, os atletas paralímpicos são vistos como ídolos, como heróis. A gente precisa aprender no Brasil a ter esse mesmo pensamento. Demora um pouquinho, mas acho que a gente está no caminho", explicou Santos.

Autor: Antônio Netto
Revisão: Carlos Albuquerque