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Mundo

Atentados não são resistência contra EUA, diz perito da DW

Atentados de Karbala e Bagdá, no Iraque, não podem ser interpretados como resistência aos EUA. É mais uma tentativa de desestabilizar o país, observa Peter Philipp, especialista em Oriente Médio.

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Se os Estados Unidos não tivessem invadido o Iraque, as vítimas de Bagdá e Karbala ainda estariam vivas. Correto. Mas pode-se responsabilizar os EUA pelos atentados? Certamente não. Isto deve estar claro até para os iraquianos que culparam os norte-americanos após os atentados, analisa o comentarista da Deutsche Welle Peter Philipp. Para o perito em Oriente Médio da DW-RADIO, os atos são o resultado de um caldeirão de ódio, raiva, desespero e luto — todos sentimentos que não se pode controlar com lógica e razão.

A lógica e a razão mostram a todos, sejam iraquianos ou não, que os ataques sangrentos como em Bagdá e Karbala — ou já antes, em Erbil — têm uma intenção traiçoeira: pessoas são assassinadas com o intuito de espalhar tensão e agitação, criando assim ainda mais vítimas. Isto nada tem a ver com uma resistência ao regime de ocupação, trata-se aqui de puro terror.

E deve soar como sarcasmo aos ouvidos dos iraquianos se tais atentados forem considerados atos legítimos da resistência. Após mais de 30 anos de ditadura e quase um ano após a guerra, os iraquianos realmente merecem ser deixados em paz por tais "salvadores da humanidade" — que na realidade não têm outra coisa na cabeça a não ser o desprezo aos direitos humanos.

A situação dos iraquianos não é fácil, mas eles são um povo forte — que consegue manter a distância adequada aos ocupadores, para não cair em sua completa dependência. Por outro lado, conseguem resistir às tentativas religioso-conservadoras ou de grupos radicais que tentam se impor no país e torná-lo mais um triste exemplo de falta de liberdade na região. O projeto de uma constituição de transição, recentemente concluído, é exemplar.

Por isso mesmo, os iraquianos devem conseguir dar conta do terror, pelo menos o que tem origem entre suas próprias fileiras. Eles sabem, melhor do que ninguém, que o convívio pacífico entre as diversas etnias e credos é de interesse de todos. E que os terroristas querem impedir justamente isso, pois é só no caos que floresce sua causa sangrenta.

Mais do que até agora, os iraquianos terão de refletir e se concentrar no objetivo que eles mesmos estipularam: construir uma democracia livre para todos. Não uma democracia sob o beneplácito de Washington, mas um Estado livre e justo para seus cidadãos, onde não há lugar para terroristas. Eles serão traídos e entregues à Justiça, da mesma forma como aconteceu com Saddam Hussein. O tempo deles já passou, da mesma forma como o de Saddam Hussein já havia passado.

Os norte-americanos e seus parceiros de coalizão não poderão ajudar muito nisso, pois essa é uma tarefa que os próprios iraquianos terão que cumprir. Por outro lado, independente da posição que se teve ou se tenha agora sobre a guerra, deve-se compreender que a ocupação não pode acabar de repente.

Ela deve ser encerrada aos poucos, para que a responsabilidade seja entregue, em etapas, aos iraquianos. Washington declarou que pretende fazer justamente isso. Agora, então, é preciso esperar para ver, conclui Peter Philipp, especialista da Deutsche Welle em Oriente Médio.

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