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Mundo

Atentados em Paris: um caso para a Otan?

Apesar da retórica de guerra de líderes franceses, até agora os ataques do "Estado Islâmico" em Paris não foram vistos como um episódio que exige uma ação coletiva da Otan. Porém, isso não significa que continuará assim.

Após os recentes atentados em Paris, o presidente francês, François Hollande, qualificou-os de "ato de guerra" executado pelo "exército terrorista" do "Estado Islâmico" (EI). Tanto o chefe de Estado quanto o primeiro-ministro, Manuel Valls, afirmaram que "a França está em guerra" – e talvez, como sugeriu Valls, em breve não somente o país. "Sabemos que também estão sendo preparadas operações contra outros países europeus", disse o premiê.

Porém, a França ainda não solicitou ajuda dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O embaixador francês na Alemanha, Philippe Etienne, assegurou em entrevista à emissora alemã Deutschlandfunk que a questão sobre a cláusula de defesa mútua "não foi levantada na França".

A Otan afirmou, por meio de seu secretário-geral, Jens Stoltenberg, que "nós todos estamos determinados a combater a ameaça do terrorismo e do extremismo e a derrotá-la". Ele não citou, porém, o Artigo 5º da Otan, segundo o qual um ataque armado contra um país-membro da aliança é considerado uma agressão contra todos os membros, que devem apoiar o país atacado.

Grandes desafios

A cláusula de defesa mútua foi invocada somente uma vez nos 66 anos de história da organização, após os ataques de 11 de Setembro de 2001 nos EUA. Grandes operações militares conjuntas, porém, não se materializaram.

A resposta do ex-presidente dos EUA, George W. Bush, aos ataques foi principalmente, a guerra no Afeganistão. E para isso, ele montou a própria coalizão. A Otan só foi aparecer mais tarde no plano, mas não nos termos do Artigo 5º.

Os recentes ataques em Paris são comparáveis aos atentados de 2004 em trens de Madri, que resultaram em 191 mortos, e em 2005 no metrô londrino, com 65 mortos. Em ambos os casos, os governos não exigiram ajuda militar dos aliados da Otan.

Roland Freudenstein, diretor de pesquisa do observatório Martens Centre, de Bruxelas, não acredita que a França vá se esforçar, neste momento, para invocar o Artigo 5º. Porém, para o especialista, existiriam embasamentos para que houvesse uma resposta militar da aliança aos atentados em Paris. Ao contrário dos ataques de Madri e Londres, agora se trata do EI, "uma entidade semelhante a um Estado", o que não foi necessariamente o caso nos ataques nas capitais inglesa e espanhola.

Frankreich Luftwaffe Kampfjets

Especialistas afirmam que somente ataques aéreos não vão conter o "Estado Islâmico"

Republicanos dos EUA prontos para a guerra

O Partido Republicano dos EUA não só entende que a França deveria convocar a ajuda dos aliados, como também alguns representantes da legenda querem tomar a iniciativa por eles mesmos. "Deveríamos declarar uma guerra", disse Jeb Bush, irmão do ex-presidente e um dos pré-candidatos republicanos à presidência. Isso também incluiria forças terrestres. Mas, segundo ele, "não podemos fazê-lo sozinhos".

Também seu concorrente republicano Marco Rubio afirmou que "este é um ataque a um dos nossos aliados da Otan". "Devemos recorrer ao Artigo 5º e reunir todos para enfrentar esse desafio", disse.

O conselheiro de segurança do presidente Barack Obama, Ben Rhodes, salientou, porém, que a própria França é quem deve solicitar a ajuda dos aliados da Otan. Obama afirmara, um dia antes dos ataques em Paris, que o EI estava "cercado" – o que serve de munição para seus críticos após os atentados na capital francesa.

Em entrevista ao jornal alemão Passauer Neuen Presse, Manfred Weber, presidente do grupo político EVP no Parlamento Europeu, não falou de um possível caso para a Otan, mas afirmou que "nenhuma opção, também a militar, deve ser excluída".

Por outro lado, o ministro do Exterior alemão, Frank-Walter Steinmeier, alertou sobre reações excessivas. Na reunião de ministros do Exterior da União Europeia em Bruxelas, ele afirmou que, "no final, a luta contra o terrorismo não pode ser vencida militarmente". Todos deveriam se "controlar muito para que, a partir da pressão da situação, não tome decisões erradas".

Até mesmo a ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, aconselhou a aliança militar, no domingo, a manter "grande calma e prudência".

Receio de mais mortes

Mesmo que a Otan não tenha discutido até o momento se os atentados em Paris seriam um possível caso para a aliança militar, as exigências em determinados países-membros da Otan por uma resposta militar contra o EI têm ficado cada vez mais fortes.

De acordo com Freudenstein, militarmente poderia fazer sentido "comandos do tipo 'ataca-e-foge', realizados por tropas ágeis, modernas e bem equipadas" também nos bastiões do EI, como os americanos já realizam, mas sem forças terrestres maciças. No entanto, para o especialista, apenas ataques aéreos não são suficientes.

A resistência dos países-membros da Otan contra soldados em terra é grande. Há o medo da morte de militares, assim como a preocupação de que o EI ataque de forma ainda mais impiedosa os países ocidentais.

Para Freudenstein, o medo de novos ataques não deveria ser um critério para ficar fora do conflito militarmente. "Isso significaria ceder ao terror", afirma. No entanto, é provável que os políticos de países ocidentais analisem cuidadosamente os riscos antes de começarem uma grande operação militar contra o EI.

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