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Mundo

Atentado suicida em Damasco atinge núcleo do regime Assad

Cunhado do presidente e ministro sírio da Defesa morrem no mais audacioso ataque dos rebeldes contra regime Bashar al Assad. Aumenta pressão para ações internacionais mais duras, a fim de tentar frear violência no país.

Um ataque a bomba nesta quarta-feira (18/07) contra a sede da segurança nacional da Síria, em Damasco, matou pelo menos três integrantes do alto escalão do governo e deixou dezenas de feridos.

De acordo com informações oficiais, foram mortos o ministro da Defesa da Síria, general Daud Rayiha, o vice-ministro e ex-chefe do serviço militar de inteligência, Assef Shavcat, cunhado do presidente Bashar al Assad, e o chefe do núcleo de repressão aos rebeldes, general Hassan Turkmani. O atentado ainda deixou gravemente ferido o ministro sírio do Interior, Mohammed al Shaar.

De acordo com o governo sírio, o responsável pelo atentado suicida usava um cinto com explosivos. No momento do ataque, dezenas de integrantes do alto escalão do governo participavam de um encontro no local de segurança máxima.

Logo após o episódio, Damasco prometeu punir os responsáveis, afirmando que vai "cortar toda mão que atente contra a segurança nacional".

"As Forças Armadas estão determinadas a acabar com as gangues de extermínio e criminosas, e a persegui-las onde quer que estejam", afirmou o comando militar num comunicado divulgado pelo canal estatal de televisão.

Baixas significativas

Há quatro dias, tropas do governo enfrentam o Exército Livre Sírio em Damasco. Especialistas acreditam que as mortes desta quarta-feira representam significativas baixas na base de apoio de Assad, e podem provocar deserções em larga escala, além de reações furiosas por parte do regime.

"Esse ataque é em alguns aspectos o ataque direto de maior êxito contra o regime até agora", avalia Gala Riani, analista de Oriente Médio da consultoria Control Risks. "Os próximos dias serão cruciais para sinalizar qual caminho tomará o conflito a partir de agora. Podemos esperar que a situação piore. Mas acho que é necessário mais do que isso para derrubar o regime Assad."

O audacioso ataque contra agentes de segurança importantes e ministros da Síria serve para passar aos líderes do governo a mensagem de que também eles são vulneráveis, acreditam observadores. "O ataque manda uma mensagem forte de que ministros não estão a salvo e de que isso poderá acarretar a erosão da base de apoio do regime", acredita Anthony Skinner, diretor para Oriente Médio da consultoria Maplecroft, ressaltando o efeito psicológico que o sucesso dos ataques deverá exercer sobre os rebeldes, bem menos armados do que as tropas oficiais.

As mortes dos políticos do alto escalão e os violentos embates dos últimos dias em Damasco aumentam a pressão para ações mais duras das Nações Unidas contra a Síria, dizem líderes ocidentais. A Rússia, integrante do Conselho de Segurança da ONU com poder de veto, ainda se mantém contrária a medidas mais rígidas.

Mais pressão

O secretário norte-americano de Defesa, Leon Panetta, disse que a situação na Síria parece estar "fora de controle" e conclamou os países a "fazer mais pressão sobre Assad para que ele faça o que é o certo: deixe o poder e permita uma transição pacífica".

O secretário britânico de Exterior, William Hague, condenou o ataque suicida e afirmou que ele "confirma a necessidade urgente de uma resolução pelo capítulo do Conselho de Segurança da ONU". Juntamente com a França, Alemanha e os EUA, o Reino Unido apresentou uma resolução do Conselho estendendo a missão de observadores das Nações Unidas na Síria por mais 45 dias e incluindo o plano de paz do enviado internacional Kofi Annan no capítulo 7 do tratado – o qual permite aos 15 membros do conselho autorizar ações que vão desde sanções a ações militares.

No entanto, Moscou ainda acredita que a resolução iria piorar a situação de violência no país. "Quem ceder apenas à pressão de um lado do conflito, aproxima o país de uma guerra civil", afirmou o ministro russo do Exterior, Serguei Lavrov. "Em vez de acalmar a oposição, nossos parceiros ocidentais incitam ainda mais", disse Lavrov, defendendo que o povo sírio é que deve decidir sobre o destino de Assad.

MSB/afp/rtr/dpa
Revisão: Augusto Valente

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