Atentado mata grupo de médicos no Afeganistão | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 07.08.2010
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Mundo

Atentado mata grupo de médicos no Afeganistão

Talibãs assumiram a autoria do atentado que matou dez funcionários de entidade cristã de ajuda humanitária que atua desde 1966 no Afeganistão. Uma alemã fazia parte do grupo assassinado.

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Província de Badakhshan, região norte do Afeganistão

Um ataque no norte do Afeganistão matou dez funcionários da entidade cristã de ajuda humanitária Missão Internacional de Assistência (IAM, na sigla em inglês), especializada em tratamento oftalmológico. Segundo dados da polícia local, os funcionários prestavam assistência em uma clínica de Cabul.

Neste sábado (07/08), a direção da IAM disse que entre os mortos estariam um alemão, um britânico, seis norte-americanos e dois tradutores afegãos. A entidade informou que só irá confirmar definitivamente a nacionalidade das vítimas após uma investigação completa. Segundo a agência de notícias dpa, a vítima alemã seria uma mulher.

Os talibãs reclamaram a autoria do atentado. Segundo um porta-voz do grupo radical islâmico, os voluntários foram assassinados porque espionavam para os Estados Unidos e porque "pregavam o cristianismo".

Dirk Frans, diretor da IAM, afirmou em Cabul que "essa tragédia tem um impacto negativo sobre a nossa capacidade de continuar servindo ao povo afegão, como temos feito desde 1966. Esperamos que não tenhamos que encerrar o nosso trabalho, que beneficia pelo menos 250 mil afegãos a cada ano."

A Força Internacional de Assistência à Segurança no Afeganistão (Isaf), dirigida pela Otan, disse que suas forças militares não estavam envolvidas no incidente e que não tinha informações sobre o atentado. Em Berlim, um porta-voz do Ministério alemão de Relações Exteriores disse que as autoridades alemãs trabalham para esclarecer as informações.

Acampamento

Policiais responsáveis pela segurança na província de Badakhshan disseram que os corpos com marcas de tiros foram encontrados na manhã deste sábado. Acredita-se, no entanto, que o atentado tenha ocorrido há alguns dias.

Aqa Noor Kentuz, chefe de polícia da região, afirmou que o grupo havia saído para acampar próximo à floresta, entre Badakhshan e Nuristan, e foi atacado por homens armados ainda não identificados.

"Antes de eles viajarem, nós alertamos para que não chegassem perto das florestas em Nuristan, mas eles disseram que eram médicos e que ninguém iria machucá-los", declarou Kentuz.

Apenas um afegão sobreviveu ao atentado. "Ele me disse que gritou e começou a recitar versos do Alcorão, dizendo 'eu sou muçulmano, não me matem'", narrou o chefe de polícia.

O governo da província de Nuristan confirmou que o grupo de médicos visitou vários distritos locais e prestou serviços aos afegãos. A IAM, entidade cristã de assistência sem fins lucrativos, disse que as vítimas faziam parte da equipe de oftalmologistas.

Violência

O Afeganistão vive sua fase mais violenta desde a derrubada do governo talibã e a chegada das tropas norte-americanas, em 2001. Junho último foi o mês com maior número de mortes entre as forças internacionais, com mais de 100 vítimas.

Apesar de o país asiático abrigar atualmente 140 mil homens das forças internacionais, apoiados por outros dezenas de milhares de soldados afegãos, os talibãs conseguiram ampliar, nos últimos anos, sua campanha para o norte e outras direções, ou seja, para além de suas tradicionais bases no sul e no leste. As províncias de Nuristan e Badakhshan estão localizadas próximas à problemática fronteira com o Paquistão.

NP/rts/apn/dpa
Revisão: Carlos Albuquerque

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