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Mundo

Atentado ao "futuro do povo iraquiano"

Brasileiro Sérgio Vieira de Mello morre em atentado à sede da ONU em Bagdá. Para ministro alemão, ataque foi contra o próprio povo do Iraque. Mais de 60 mortos e feridos.

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Sede da ONU no Iraque virou escombros

Um carro-bomba destruiu boa parte do escritório central das Nações Unidas em Bagdá. Pelo menos 17 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas no atentado. Entre os mortos, o chefe da missão da ONU no Iraque, Sérgio Vieira de Mello.

Logo após o ataque, apesar de soterrado e com ferimentos graves, o diplomata brasileiro ainda telefonara para a sede da organização em Nova York dando sinal de vida. Duas horas depois, o contato telefônico com ele foi interrompido, informou Paul Bremer, o administrador civil dos EUA no Iraque. Mais duas horas, e tanto a ONU quanto o comando americano em Bagdá confirmaram o falecimento.

Vieira de Mello gestorben

Sérgio Vieira de Mello, em foto de 2002

Eram cerca de 16h30 locais, quando um caminhão carregado de explosivos entrou no saguão do Canal Hotel, de onde a ONU coordena suas atividades no Iraque desde 1991. Acredita-se que pelo menos 200 funcionários trabalhavam no prédio naquele horário. O gabinete de Vieira de Mello ficava próximo ao local da explosão. Pela manhã, havia sido anunciada a prisão do ex-vice-presidente iraquiano Taha Yassin Ramadan no norte do país por um grupo curdo aliado dos Estados Unidos.

Reações de perplexidade – Em Berlim, o ministro das Relações Exteriores condenou o atentado. "Os responsáveis por este crime precisam ser investigados e punidos sem perdão", disse Joschka Fischer. Para o líder verde, o atentado não é apenas um ataque às Nações Unidas, mas ao futuro do povo iraquiano. Já o chanceler federal Gerhard Schröder declarou pensar neste momento nas vítimas e seus familiares. Em telegrama de pêsames ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o chefe de governo alemão reafirmou apoio total às Nações Unidas.

Kofi Annan reagiu consternado e indignado. Nada pode "desculpar este ato de violência fútil e assassina contra homens e mulheres que foram ao Iraque com um único objetivo: ajudar o povo iraquiano a reconquistar sua independência e soberania, e reconstruir seu país o mais rapidamente possível, sob uma liderança de sua escolha", disse o diplomata ganense, que interrompeu suas férias na Finlândia e embarcou para Nova York. Ele garantiu que a ONU não recuará em sua missão no Iraque.

UN Hauptquartier in Bagdad, Soldat mit Gewehr

O prédio do Canal Hotel em 2002, antes da guerra e do atentado

Em Bruxelas, a União Européia considerou a agressão um "ato abominável". O encarregado de política exterior da UE, Javier Solana, afirmou que o atentado foi dirigido a pessoas que trabalhavam pelo futuro do Iraque, enquanto o presidente da Comissão Européia, Romano Prodi, disse que o ataque deverá afetar a ajuda humanitária da comunidade internacional.

Respeitado, mas também questionado – Sérgio Vieira de Mello era reconhecido internacionalmente por ser experiente na gerência de conflitos, como do Líbano, Ruanda e Timor Leste. Sua nomeação há um ano como alto comissário de Direitos Humanos não foi entretanto bem recebida por organizações não-governamentais européias, que o consideravam diplomático demais.

Indicado no fim de maio pessoalmente por Kofi Annan, Vieira de Mello aceitara a missão no Golfo Pérsico pelo prazo limitado de quatro meses. Consciente da difícil situação, somente há três semanas o diplomata tornara-se otimista com o futuro do Iraque. Em recente entrevista, dissera entender o incômodo dos iraquianos com as tropas de ocupação. "Os iraquianos precisam saber que a atual situação terá em breve um fim. A estabilidade voltará e a ocupação acabará", declarou no início de agosto.

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