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Mundo

Atentado a semanário mata 12 em Paris

Homens armados com fuzis invadem sede do "Charlie Hebdo", famoso por satirizar o islã, e abrem fogo contra funcionários. Polícia descreve cena como "carnificina" e monta megaesquema para localizar os atiradores.

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Vídeo: Atentado contra semanário satírico em Paris

Três homens encapuzados, armados com fuzis kalashnikov, invadiram a sede do semanário satírico francês Charlie Hebdo, no coração de Paris, nesta quarta-feira (07/01) e abriram fogo. Ao menos 12 pessoas morreram, entre elas o diretor da publicação e dois policiais, num atentado que elevou o alerta de terrorismo na França ao nível máximo.

Os terroristas conseguiram fugir e estão sendo caçados por mais de 3 mil homens da polícia parisiense. O atentado gerou uma onda de condenações da comunidade internacional e ameaça acirrar o debate sobre a relação entre islã e radicalismo, atualmente em alta na Europa, sobretudo na Alemanha e na França.

"Os autores desses atos serão perseguidos. A França está em choque. É um atentado terrorista, não há dúvida", afirmou o presidente francês, François Hollande. "Temos de agir com firmeza, mas nos preocupando com a unidade nacional. Estamos diante de um momento difícil."

"Vingamos o profeta"

No ataque, os atiradores gritaram "vingamos o profeta" e Allahu Akbar (Deus é grande). O semanário tem um histórico de provocações ao islã. Sua redação já havia sido alvo de um ataque à bomba em novembro de 2011, após a publicação de charges do profeta Maomé. Na época, ninguém ficou ferido.

Entre os mortos nesta quarta-feira estão o diretor de redação da publicação, Stephane Charbonnier, conhecido como Charb, e o cartunista George Wolinski, considerado o maior nome do quadrinho francês. Os terroristas teriam começado a atirar durante uma reunião de pauta.

Outras 20 pessoas ficaram feridas no ataque, incluindo quatro em estado grave. Um policial no local do atentado (que fica próximo a pontos turísticos como a Catedral de Notre-Dame) descreveu o interior do prédio do Charlie Hebdo como uma "carnificina".

Os atiradores fugiram em direção aos subúrbios ao leste de Paris, região com grande presença de imigrantes, após roubarem um carro. Em diferentes pontos da capital, sirenes eram ouvidas, e a segurança foi reforçada nos transportes, locais religiosos e prédios da mídia.

Segundo testemunhas, os atiradores falavam francês fluentemente e teriam dito que são da Al Qaeda. As informações não foram confirmadas pelas autoridades. Policiais que analisaram as imagens do ataque disseram que os atiradores receberam treinamento militar para o uso de armas.

Condenação internacional

A comunidade internacional, por meio de líderes como Barack Obama e Angela Merkel, condenou em peso o atentado, usando palavras como "barbárie" para descrevê-lo. Lideranças muçulmanas e árabes destacaram a necessidade de separar o islã do uso da violência.

A Otan e a União Europeia também se pronunciaram sobre o incidente. "Os aliados da Otan se mantêm unidos na luta contra o terrorismo", que nunca pode ser tolerado ou justificado, disse o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg.

A Liga Árabe e a Universidade Al-Azhar, a principal autoridade do Islã sunita, condenaram o atentado. "O chefe da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, condena energicamente o ataque ao jornal Charlie Hebdo em Paris", afirmou a organização. A Al-Azhar, igualmente com sede no Cairo, deplorou o "ataque criminoso", sublinhando que "o Islão denuncia qualquer violência". Também a Arábia Saudita, o Egito e o Catar condenaram de forma enérgica o atentado.

Nenhum grupo radical reivindicou a autoria do ataque. Mas ele acontece em meio a uma aparente onda de xenofobia na Europa, combatida por um movimento, também crescente, de apoio à tolerância.

Na Alemanha, sob o lema de lutar contra uma suposta "islamização" do continente, milhares foram às ruas nesta semana. A população muçulmana na França, de 5 milhões de pessoas, é a maior da Europa.

No ano passado, um homem, também gritando Allahu Akbar ("Deus é grande"), feriu 13 pessoas ao lançar um veículo sobre uma multidão na cidade de Dijon, no leste francês.

O atentado desta quarta-feira é o primeiro grande ataque terrorista em Paris em décadas. Em 1995, o Grupo Islâmico Armado (GIA), da Argélia, explodiu uma bomba em um trem, matando oito pessoas e ferindo 150.

RPR/afp/ap/rtr

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