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Mundo

Atenas pode ser forçada a escolher entre UE e Rússia

Disputa sobre ameaça europeia de novas sanções contra Moscou anuncia um cisma maior. Principais representantes do novo governo grego têm claras simpatias pelos russos, por razões ideológicas ou pragmáticas.

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Gabinete de Alexis Tsipras (c) em Atenas

Muitos na Europa se perguntam se a Grécia vai se distanciar da aliança formada pelos Estados da União Europeia contra a Rússia. Pois o novo chefe de governo, o esquerdista Alexis Tsipras, afirma se sentir desconsiderado na decisão sobre a aplicação de novas e mais severas sanções contra Moscou.

Oficialmente, a dissensão se originou na decisão preliminar que a UE submeteu por escrito a seus países-membros. Atenas reclama por o seu silêncio ter sido interpretado como anuência. Segundo especialistas em política europeia, esse é justamente o princípio do procedimento de aceitação tácita, adotado por Bruxelas para acelerar os processos decisórios.

Vangelis Kalpadakis, consultor de Tsipras para assuntos diplomáticos, interpreta diferentemente a questão. As instituições européias, afirma, não teriam dado à Grécia tempo suficiente, mesmo sabendo que naquele momento o novo ministro do Exterior não fora ainda empossado.

Ameaça de sanções precisa ser unânime

A UE pretende ameaçar Moscou com medidas punitivas mais duras, como resposta à escalada no conflito separatista no leste da Ucrânia. A decisão definitiva a respeito – que precisa ser unânime – tem prazo para ser tomada até a próxima cúpula da UE, em 12 de fevereiro. Até lá, a Grécia dispõe de um potencial de pressão na questão. Além disso, o país não deixa de cuidar de suas relações com o Kremlin.

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Não está claro se para o governo grego o problema foi com o procedimento, ou se ele faz ressalvas concretas à política europeia de sanções contra a Rússia. O comentário do ministro do Exterior Nikos Kotzias, na ocasião mesma de sua posse, aponta mais na segunda direção.

Ele aproveitou a coletiva de imprensa para acusar "alguns parceiros na UE" de ignorarem as regras do jogo para colocar seu país diante de fatos consumados, antes de seu novo governo ser empossado. "Quem acredita que a Grécia abrirá mão de sua soberania ou da participação ativa na política europeia por causa de sua carga de dívidas, está enganado", advertiu.

Na opinião de Panagiotis Ioakeimidis, professor de política europeia na Universidade de Atenas, está certo o país cultivar as melhores relações possíveis com a Rússia, mas ao mesmo tempo "deve procurar o consenso na política externa da UE". Nesse sentido, opina, é preciso discutir eventuais restrições e procurar convencer os parceiros europeus da própria opinião.

Simpatias por Moscou

O novo ministro grego do Exterior, Nikos Kotzias, é professor de política da Universidade de Pireu, com foco nos Estados do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Ele é considerado um intelectual brilhante e um analista arguto e sem papas na língua, que não hesita em criticar abertamente a UE.

Kotzias já lecionou também na Universidade de Marburg, sendo não só um conhecedor da Alemanha, como seu crítico rigoroso. O título de sua publicação mais recente, lançada apenas em grego, não deixa dúvidas: "Grécia, colônia de débito. Império europeu e primazia alemã".

Um outro livro seu, "Política externa da Grécia no século 21", é igualmente revelador. Nele, o esquerdista defende uma aproximação a China, Índia, Rússia e o Brasil – sem, contudo, colocar em questão a identidade europeia do país.

Como membro fundador da organização jovem do Partido Comunista da Grécia (KKE), ele foi apelidado "Suslov", numa referência a Mikhail Andreievitch Suslov (1902-1982), ideólogo-chefe dos comunistas soviéticos.

Para o jornal liberal de esquerda Efimerida ton Syntaktón, Nikos Kotzias é "o maior ponto de interrogação do novo governo". O diário relata sobre contatos de longa data do político com o ideólogo de Moscou Alexander Dugin, que se pronuncia por uma "União Eurasiana" e se aferra à noção de uma "Grande Rússia".

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Moscou ou Bruxelas?

Assim como Kotzias, Alexis Tsipras também poderá procurar uma maior aproximação à Rússia. Seja como for, é fato que o primeiro-ministro esquerdista encontrou tempo para uma conversa com diplomatas russos em Atenas, logo após tomar posse.

O periódico liberal-conservador Kathimerini afirma que o premiê esquerdista de 40 anos considera, de fato, vetar o endurecimento das medidas da UE contra a Rússia. Em contrapartida, esta estaria disposta a liberar os gregos de suas próprias sanções contra o bloco europeu.

O ministro da Defesa Panos Kamenos, por sua vez, defende fechar acordos armamentistas com os russos. Ele é o chefe do partido populista de direita Gregos Independentes, que o Syriza de Tsipras incluiu na coalizão governamental a fim de obter a maioria absoluta no Parlamento.

Neste momento decisivo, deve estar claro para Atenas que uma identificação excessiva como Moscou pode representar a quebra do consenso e até mesmo a ruptura com a União Europeia.

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