Ataques de traficantes aceleraram investida militar no Alemão | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 27.11.2010
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Brasil

Ataques de traficantes aceleraram investida militar no Alemão

Rio de Janeiro é palco de novos confrontos violentos. Especialistas vêem relevância histórica na ação policial e militar contra o domínio do narcotráfico no Complexo do Alemão.

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Polícia e Forças Armadas mobilizam 20 mil homens neste fim de semana

A audácia dos traficantes no emprego da violência e no uso de armas pesadas não é uma novidade no cotidiano do cidadão do Rio de Janeiro. Porém, para especialistas, a contundência da resposta do Estado à série de ataques orquestrada por facções criminosas ao longo da semana foi surpreendente.

Conforme o consultor da Secretaria Nacional de Segurança, Vinícius Cavalcanti, o Rio de Janeiro viveu a maior mobilização policial de sua história. "Foram chamados agentes de todo o Estado, policiais civis e militares em férias, em folga e licenciados", destaca.

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Traficantes incendeiam carros na quinta-feira, 25 de novembro

A Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro divulgou que os atentados contra, principalmente, a rede de transporte público e veículos privados ocorreram em represália à instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em favelas da capital carioca, um processo iniciado em dezembro de 2008.

O conflito pela palavra

Durante a semana, a polícia centralizou as ações na Vila Cruzeiro porque não tem efetivo para agir simultaneamente em todas as regiões atacadas pelo crime. Fonte ligada à Secretaria de Segurança revela que, no planejamento de implantação das UPPs, a ocupação da Vila Cruzeiro ocorreria meses depois.

"Sabia-se que a invasão da Vila Cruzeiro seria um golpe duro porque a região é um porto-seguro para os traficantes refugiados das 'áreas pacificadas'. Os ataques adiantaram o processo", diz o entrevistado que pede para não ser identificado. O Exército e polícia divulgam que chegaram ao Alemão para ficar.

Cavalcanti prevê que a implantação das UPPs deve provocar mudança de feição no tráfico de drogas do Rio de Janeiro. "As quadrilhas vão continuar sendo violentas e fratricidas entre si, mas não poderão mais ostentar fuzis, metralhadoras e domínio de território. Serão vendas discretas por encomendas."

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Menos sangrento

Conforme dados da municipalidade de Medellín, de janeiro a agosto de 2010 ocorreram 1.250 mortes em conflitos com a polícia e nas disputas entre gangues e paramilitares por 52 territórios. Até julho, 2.266 pessoas abandonaram suas casas, fugindo da violência. Medellín adotou a estratégia que inspira as UPPs.

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Modelo de Medellín inspirou UPPs

Sabine Kurtenbach, especialista em América Latina do Instituto alemão GIGA, sediado em Hamburgo, acredita que se pode aprender com a experiência de Medellín. Para ela, é normal o retorno da violência quando os investimentos sociais não são contínuos. "A desigualdade social é muito acentuada, algo que precisa ser combatido com investimentos. Também é necessário descobrir a razão do retorno da violência".

Kurtenbach esclarece que se trata de uma estratégia de fôlego, a conciliar continuamente a presença do Estado de Direito e a integração social nas comunidades. "Uma política que una somente segurança e desenvolvimento não funciona. Também é preciso aliar concomitantemente a integração social".

A migração do crime

Para Kurtenbach, os esforços de segurança são eficientes somente quando a política de desenvolvimento tem um componente social. Vinícius Cavalcante lembra que a implantação do modelo no Rio tem sido menos sangrenta do que foi na Colômbia, pois as ocupações das favelas são previamente anunciadas.

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Confronto aberto entre militares e traficantes prossegue no fim de semana

"No Rio, o bandido consegue fugir. Na Colômbia, os teleféricos, as belas escadarias e praças de Medellín e Cali foram erguidos em cima de cadáveres de bandidos comuns e líderes de quadrilhas", diz o especialista brasileiro, que visitou a Colômbia para conhecer o projeto que inspirou as UPPs.

Com a expulsão dos líderes do tráfico do Rio e a implantação das UPPs, o crime está migrando para cidades serranas, norte fluminense, Região dos Lagos e Baixada Fluminense. O fenômeno tem sido debatido pelos governos municipais, mas ainda não foram anunciadas medidas para combatê-lo.

Autor: Márcio Pessoa
Revisão: Simone Lopes

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