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Mundo

Ataques colocam eficácia da inteligência francesa em questão

Investimentos em defesa e forças de segurança após "Charlie Hebdo" e alertas da Turquia e do Iraque não impediram atentados em Paris. Especula-se que terroristas tenham se comunicado por meio do Playstation.

Enquanto a França e outros países europeus investigam os ataques da última sexta-feira (13/11) em Paris e tentam identificar e prender responsáveis, surgem questões sobre a eficiência dos serviços de inteligência franceses.

Apesar do aumento de investimentos em defesa e do número de forças de segurança após o ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo, em janeiro deste ano, as autoridades não conseguiram impedir os recentes atentados que deixaram 129 mortos e mais de 350 feridos na capital francesa. Além disso, Turquia e Iraque teriam alertado sobre um dos supostos envolvidos nos ataques de 13 de Novembro e possíveis atentados do "Estado Islâmico" (EI) em território francês, respectivamente.

Para alguns especialistas, a escala e a complexidade das ameaças jihadistas teriam simplesmente sobrecarregado o sistema de defesa e inteligência da França – o que poderia justificar a falha em prever e impedir os atentados. Até agora, os responsáveis pelos serviços de inteligência do país não apresentaram justificativas.

Especula-se que os ataques em Paris envolvam o popular console de videogame Playstation 4. Citado pela revista americana Forbes, o ministro do Interior da Bélgica, Jan Jambon, disse que membros do EI usam o equipamento para se comunicar, em jogos que permitem o contato entre os jogadores. "O Playstation 4 é ainda mais difícil de ser monitorado do que o Whatsapp", afirmou.

A Forbes ressaltou que Jambon estava falando de táticas que seriam usadas pelo EI em geral e que ainda não há evidências sobre o uso do Playstation no planejamento dos ataques de 13 de Novembro.

A mídia americana especula ainda que os terroristas usem aplicativos de celular codificados para que sua comunicação não seja captada pelos serviços de inteligência.

Informações da Turquia e do Iraque

Um alto funcionário do governo da Turquia afirmou nesta segunda-feira à agência de notícias AFP que forneceu informações à França em duas oportunidades, em dezembro de 2014 e junho de 2015, sobre um dos suspeitos de envolvimento nos ataques realizados em Paris na sexta-feira, Omar Ismaïl Mostefaï.

Segundo o funcionário, que falou em condição de anonimato, a Turquia teria recebeu em 10 de outubro de 2014 um pedido da França por informações sobre quatro suspeitos de terrorismo, mas não sobre Mostefaï, que havia sido identificado por Ancara como um potencial suspeito. Por duas vezes, as autoridades turcas notificaram Paris sobre as conclusões, mas só ouviu falar de Mostefaï novamente depois dos ataques de sexta-feira.

De acordo com o alto funcionário turco, Mostefaï entrou na Turquia em 2013 pela província de Edirne, localizada no noroeste do país e que faz fronteira com a Grécia e a Bulgária. Não há registros da sua saída do território turco.

O Iraque também alertou a França sobre possíveis ataques terroristas do grupo jihadista EI, afirmou o ministro do Exterior iraquiano, Ibrahim al-Dschafari, ao site de notícias iraquiano Al-Mada. Os serviços de inteligência do país teriam apresentado informações sobre atentados do EI em vários países, sendo que na lista dos especialmente ameaçados estavam França, EUA e Irã.

Aumento dos investimentos após Charlie Hebdo

Entre os investimentos anunciados no final de janeiro pelo primeiro-ministro francês, Manuel Valls, após o ataque ao Charlie Hebdo, estava um programa para combater terrorismo no valor de 425 milhões de euros e cerca de 6.500 novos funcionários, entre eles 1.100 nos serviços de inteligência. As medidas também incluíam uma maior vigilância para eliminar terroristas suspeitos e melhoria dos equipamentos direcionados aos serviços de segurança.

Valls disse à época que 3 mil pessoas estavam sob a vigilância dos serviços de segurança. Entre eles estavam 1.300 franceses ou estrangeiros vivendo no país e suspeitos de ligação com redes terroristas na Síria e no Iraque.

O primeiro-ministro alertara que não havia "risco zero" contra "determinados indivíduos e redes bem organizadas". Porém, afirmou que o governo iria lutar contra o terrorismo com "determinação, perseverança e ação coerente". "Estamos bem conscientes de que o combate contra o terrorismo, o jihadismo e o islamismo radical será uma longa batalha", afirmou Valls.

Em abril foi a vez do presidente francês, François Hollande, anunciar que iria destinar mais 3,8 bilhões de euros para o orçamento de defesa ao longo dos próximos quatro anos, a partir de 2016. Ele afirmou que as patrulhas militares de emergência, posicionadas perto de possíveis alvos terroristas depois dos ataques de janeiro, passariam a ser permanentes, com uma força de 7 mil soldados dedicados à segurança interna.

FC/dpa/rtr/afp/ap/ots

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