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Alemanha

Ataque racista provoca debate sobre xenofobia na Alemanha

Ministro alemão do Interior é criticado por polêmica advertência contra conclusões precipitadas no caso do ataque racista de Potsdam. Polícia prende dois suspeitos. Perito diz que casos de xenofobia tendem a diminuir.

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Protesto contra xenofobia em Potsdam (17/04)

O espancamento brutal de um alemão de origem etíope por dois jovens na madrugada do último domingo (16/04), em Potsdam (Leste da Alemanha), desencadeou um debate político sobre a origem dos casos de xenofobia no país.

A vítima continua hospitalizada "em estado estável, mas ainda corre risco de vida", segundo os médicos. A partir de 50 indícios fornecidos pela população, a polícia prendeu nesta quinta-feira dois alemães suspeitos de envolvimento no crime.

Após o interrogatório pela polícia, a Procuradoria Geral da República, que acompanha a apuração do caso, deve decidir nesta sexta-feira se eles serão levados ao banco dos réus.

Declaração polêmica

Wolfgang Schäuble bei der Eröffnung der Afghanistan Konferenz

Schäuble: escorregão verbal

Nesta quinta-feira (20/04), o ministro alemão do Interior, Wolfgang Schäuble, gerou polêmica ao advertir contra conclusões precipitadas sobre o ataque racista. Até agora, só estaria claro que uma pessoa foi vítima de um ato de violência, disse o político da União Democrata Cristã (CDU), à emissora Deutschlandradio.

"Há também pessoas louras de olhos azuis que se tornam vítimas de atos de violência, em parte, cometidos por pessoas que possivelmente não têm a cidadania alemã. Isso também não é melhor", acrescentou Schäuble.

O ministro argumentou ainda que o isolamento dos cidadãos da ex-Alemanha Oriental, onde viviam poucos estrangeiros antes da queda do Muro de Berlim, teria propiciado o surgimento do extremismo de direita e da xenofobia na região. "Eles não puderam fazer a experiência da enriquecimento que é conviver com pessoas de outras partes do mundo. Eles mesmos estavam presos atrás do Muro", disse.

Relativização cínica

Na opinião da líder do Partido Verde, Claudia Roth, tais afirmações são "indignas de um ministro do Interior. Em Potsdam, uma pessoa luta contra a morte, porque tem pele negra", afirmou. Ela disse também que a xenofobia não é um fenômeno típico do Leste alemão e que muitos líderes da extrema direita vêm do Oeste (ex-Alemanha Ocidental).

Segundo Roht, a relativização de um ato de violência racista deste tipo através de ataques a pessoas "louras de olhos azuis" é cínica e repugnante. O líder da ala jovem do Partido Social Democrata (SPD), Björn Böhming, acusou Schäube de "lançar água nos moinhos ideológicos da extrema direita".

Na avaliação do jornal Westfälische Rundschau , uma das raízes do problema do racismo pode até ser o tipo de debate sobre integração ocorrido nas últimas semanas. Argumentos no sentido de impor barreiras à integração de imigrantes acabariam servindo de estímulo aos "espancadores da direita".

O ataque de Potsdam não é um caso isolado, diz Anetta Kathane, presidente da Fundação Amadeu Antônio em Berlim – instituição que leva o nome de um angolano morto por skinheads em 1990. "Continuamos tendo uma pressão violenta vinda da direita", diz.

Menos casos de xenofobia

Já Mario Peucker, do Fórum Europeu para Estudos da Migração da Universidade de Bamberg, disse que há, sobretudo, um aumento dos chamados delitos de propaganda direitista, como portar símbolos nazistas ilegais.

Segundo ele, o número de atos violentos da extrema direita permanece relativamente constante. "A violência dirige-se cada vez mais contra grupos de esquerda, enquanto os atos de violência com motivação xenófoba tendem a recuar", afirma.

Peucker atribui esse recuo, em grande parte, aos programas contra o extremismo de direita, nos quais o governo alemão investiu 150 milhões de euros no ano passado. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, que condenou o ataque de Potsdam como "abominável e um sinal de desprezo ao ser humano", já prometeu dar continuidade a esses programas.

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